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NR-1: fiscalização reforçada afeta empresas a partir de setembro

A partir de **26 de maio de 2026**, empresas de todos os portes no Brasil enfrentarão novas exigências em relação à saúde mental e segurança ocupacional, impulsionadas por uma atualizações na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A nova regulamentação, que inclui a gestão formal de riscos psicossociais, representa uma resposta direta ao aumento dos afastamentos por problemas de saúde mental. Essa mudança não é apenas uma atualização por parte do governo, mas uma pressão regulatória que pode impactar significativamente o modo como as organizações lidam com o bem-estar de seus colaboradores.

O que muda com a NR-1?

A NR-1 agora requer que as empresas integrem fatores psicossociais ao seu Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Isso significa que não basta realizar uma análise de riscos envolvendo apenas questões físicas, químicas ou biológicas; é essencial também considerar o ambiente psicológico e social do trabalhador. Os fatores a serem considerados incluem, mas não se limitam a, altas demandas de trabalho, assédio moral, falta de apoio social e condições organizacionais desfavoráveis.

Essa mudança é um passo importante na luta contra o adoecimento mental no trabalho, que, segundo dados recentes, resultou em mais de **546 mil benefícios** por incapacidade temporária concedidos em 2025, o maior número já registrado. A ampliação do foco em fatores psicossociais aponta para uma crescente preocupação com a saúde mental dos trabalhadores e a necessidade de um ambiente de trabalho mais saudável.

Detalhes da implementação

O sucesso da implementação destes novos requisitos depende de um conjunto organizacional robusto capaz de mapear e avaliar esses fatores. A norma exige que as empresas adotem um processo contínuo de gerenciamento de riscos, que deverá incluir a identificação e análise dos riscos psicossociais, bem como a definição de medidas preventivas que estudem as particularidades e a realidade do local de trabalho.

É importante frisar que esse esforço não é algo que deva ser tratado como uma campanha isolada de conscientização, mas sim integrado ao cotidiano da gestão organizacional. As cláusulas da nova NR-1 exigem um comprometimento formal para que a gestão dos riscos ocupacionais tenha uma abordagem ampla e coerente.

O que as empresas precisam fazer?

Com a nova norma, as organizações devem reunir provas concretas de que estão ativas na gestão dos riscos psicossociais. Isso implica não apenas em preparar documentos e relatórios, mas sim em manter um registro que demonstre a avaliação de riscos e a implementação de estratégias de prevenção. Por exemplo, se uma empresa identificar um excesso de demandas sobre sua equipe, ela deverá documentar como planejou e executou ações para mitigar esse estresse.

A falta de uma gestão eficaz pode resultar em autuações e multas por parte do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e representar um risco significativo para as operações da empresa, especialmente em tempos de crescente vigilância regulatória.

A urgência da mudança

A urgência dessa mudança vem acompanhada de dados alarmantes sobre a saúde mental no ambiente de trabalho. Já não se trata apenas de um problema invisível; as estatísticas estão cada vez mais evidentes. O aumento no número de benefícios concedidos por incapacidade por transtornos mentais serve como um alerta. As empresas agora precisam enfrentar essa realidade e adaptar suas práticas de gerenciamento de riscos para incluir uma abordagem que considere o bem-estar psicológico de seus colaboradores.

Além disso, a regulamentação representa uma mudança significativa na forma como os assuntos relacionados à saúde mental são tratados. Não mais relegados à esfera do bem-estar ou responsabilidade social corporativa, os fatores psicossociais agora devem ocupar um lugar central nas discussões sobre segurança no trabalho. Isso implica uma mudança de mentalidade nas organizações, que devem ver a saúde mental não apenas como uma questão ética, mas também como um fator crucial para a produtividade e a retenção de talentos.

Um chamado à ação para empresários e gestores

Com a aproximação da data de implementação da norma, é crucial que empresários e gestores comecem a adaptar suas políticas e práticas. A primeira etapa deve ser a realização de um diagnóstico sobre as condições psicossociais existentes em sua empresa. Essa avaliação deve incluir a coleta de feedbacks dos colaboradores, análise de dados sobre faltas e afastamentos, bem como a identificação de potenciais fontes de estresse no ambiente de trabalho.

Após esse mapeamento inicial, é fundamental a elaboração de um plano de ação que não apenas atenda aos requisitos da NR-1, mas que promova um ambiente de trabalho mais saudável. Isso pode incluir a criação de programas de bem-estar, melhorias no ambiente físico, treinamento de gestores para que possam reconhecer e agir em casos de risco psicossocial e a promoção de uma cultura de segurança que valorize o bem-estar do trabalhador.

A adaptação à NR-1 não é uma barreira, mas uma oportunidade. Além de evitar punições e multas, essa mudança pode resultar em um aumento na satisfação e produtividade dos colaboradores, refletindo positivamente nos resultados da empresa. Portanto, é essencial que os gestores não tratem essa mudança como uma obrigação legal, mas sim como uma oportunidade de melhorar a cultura organizacional e a performance de sua equipe. Em suma, o que os empresários devem fazer agora é iniciar a preparação para essa nova realidade, investindo no bem-estar de seus trabalhadores e, por consequência, no futuro de seus negócios.

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Fonte original: Portal Contábeis

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Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

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