Tarifaço dos EUA afeta empresas brasileiras na B3
O aumento de 50% nas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros tem impacto desigual nas empresas listadas na B3. Enquanto grandes companhias como Marfrig e Minerva conseguem reduzir os efeitos através de estratégias, empresas menores, como as small caps, sofrem perdas significativas no valor de mercado.
Small caps sofrem maiores quedas
Um levantamento da Elos Ayta Consultoria revelou que, desde o anúncio da sobretaxa em 9 de julho, as small caps foram as mais afetadas. Das 20 maiores quedas de ações de empresas nos índices Ibovespa, Small Cap e Dividendos, 17 pertencem ao índice Small Cap. Essas empresas, com menor capitalização, são mais vulneráveis a choques externos.
A Jalles Machado, por exemplo, possui um valor de mercado de R$ 965 milhões, enquanto a Marfrig alcança R$ 18,6 bilhões. A diferença de porte reflete-se na capacidade de enfrentar as consequências do tarifaço.
Estratégias adotadas pelas grandes empresas
Para reduzir o impacto das tarifas, a Marfrig diversificou suas operações geograficamente, exportando não apenas do Brasil, mas também de subsidiárias em outros países. A empresa conseguiu minimizar as perdas, com apenas 1,4% de queda no valor das ações desde o anúncio da sobretaxa.
Já a Minerva adotou uma estratégia semelhante, exportando para os EUA a partir de unidades em diversos países, o que resultou em uma queda de 8% no valor das ações devido ao efeito da sobretaxa em cerca de 5% da receita líquida.
Triangulação como solução
A prática de triangulação, redirecionando exportações por outros países antes de chegarem aos EUA, tem sido uma estratégia adotada para mitigar os efeitos do tarifaço. No entanto, nem todas as empresas possuem a infraestrutura necessária para empregar essa técnica.
Empresas como Jalles Machado, com produção concentrada em regiões específicas do Brasil, enfrentam desafios maiores. A empresa sofreu uma desvalorização de 15,5% nas ações devido à sobretaxa e à queda nos preços internacionais do açúcar.
Impacto nas blue chips
Mesmo empresas consideradas blue chips, como Raízen e Cosan, também foram afetadas, registrando quedas de 23% e 13,6%, respectivamente. O alto nível de endividamento da Raízen, por exemplo, restringe sua capacidade de reação diante do cenário desfavorável.
O levantamento da Elos Ayta aponta que a Raízen precisaria ter um patrimônio três vezes maior para liquidar sua dívida atual. Essa limitação de caixa e o contexto externo adverso prejudicam empresas mais alavancadas e com menor diversificação de mercados.
Perspectivas e desafios futuros
Especialistas destacam que nos próximos meses, o impacto do tarifaço dependerá da capacidade das empresas em acessar mercados alternativos, implementar estratégias de triangulação, evolução dos preços internacionais das commodities e resposta do governo brasileiro em negociações comerciais.
Investidores e analistas devem se atentar não apenas aos efeitos imediatos da sobretaxa sobre as receitas e lucros, mas também à resiliência operacional e financeira das empresas, principalmente aquelas mais expostas ao mercado norte-americano, como as small caps.
Fonte: Agência Brasil
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