Inflação cede terreno e famílias ampliam gastos com alimentos em agosto
Consumo de alimentos nos lares brasileiros volta a crescer em agosto
O consumo de alimentos nos lares brasileiros registrou um aumento de 2,08% em agosto em relação a julho, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Em comparação com o mesmo período do ano anterior, a alta foi de 4,56%, enquanto no acumulado de 2025 o crescimento foi de 2,68%.
A melhora no emprego e na renda dos brasileiros tem impulsionado esse aumento no consumo, conforme aponta o estudo da Abras. Com a redução da pressão nos preços dos alimentos nos últimos meses e a diversificação da cesta de compras, os consumidores estão optando por produtos de preço médio em detrimento dos de menor valor.
Segundo a entidade, os dados já contemplam a inflação medida pelo IPCA e englobam todos os formatos de supermercados. Com o crescimento da massa salarial, parte da demanda está migrando para itens de maior valor agregado, refletindo a mudança no padrão de consumo das famílias.
Emprego e renda em alta impulsionam o consumo
Dados da PNAD Contínua, do IBGE, confirmam a retomada do consumo, com a população ocupada chegando a 102,4 milhões no trimestre encerrado em julho e a massa de rendimento real habitual registrando um aumento de cerca de R$ 30 bilhões no período.
Além da melhora estrutural, o consumo também foi impulsionado por recursos extraordinários, como restituições do Imposto de Renda, repasses do Bolsa Família e pagamentos do PIS/Pasep, entre outros. A previsão é de que novas transferências e liberações, como o programa Gás do Povo e saques do PIS/Pasep, mantenham o impulso sobre o consumo nos próximos meses.
Cesta de consumo e variação de preços
O AbrasMercado, que acompanha a variação de preços de 35 produtos de consumo frequente, registrou uma queda de 1,06% em agosto, com o valor médio da cesta chegando a R$ 804,85. As carnes foram destaque nessa redução, com quedas nos preços do frango congelado, carne bovina traseiro e ovos.
No segmento dos produtos básicos, houve recuo nos preços do arroz, do feijão e do café, tanto em agosto quanto no acumulado de 2025. Por outro lado, as proteínas acumulam altas expressivas em 12 meses, influenciadas por fatores como a estiagem, os custos elevados de produção e a valorização do dólar.
Impacto regional e variações de preço
No Nordeste, a cesta de consumo liderou a queda em agosto, seguido pelo Norte e Sudeste. Apesar do recuo, o Norte ainda tem as cestas mais caras em média, enquanto o Nordeste mantém os menores valores. Entre os produtos básicos, nove ficaram mais baratos, o que refletiu positivamente no orçamento das famílias.
Em algumas capitais, como Recife, São Luís e Salvador, os preços médios foram mais baixos, enquanto Rio Branco e Belém se destacaram como as capitais com os valores mais altos. Essas variações regionais evidenciam a diversidade de preços no setor de alimentos e a importância de acompanhar as flutuações do mercado para os consumidores.
Fonte original: Infomoney
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