XP e Daycoval divergem sobre cortes de juros
A expectativa é de início do ciclo de queda de juros na primeira reunião do Copom em 2026. XP Investimentos e Daycoval sugerem manutenção da Selic em 15,0% nesta semana, mas apostam em cortes a partir de março, com ritmos diferentes. Enquanto a XP prevê cinco cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual, o Daycoval adota postura mais gradual, com cortes menores.
Cenário econômico e projeções
Apesar da recente melhora na inflação, a desaceleração da atividade econômica permanece gradual. O mercado de trabalho segue resiliente e a qualidade da inflação ainda preocupa. Serviços voltaram a subir e parte do alívio recente é considerado não recorrente. As projeções da Daycoval indicam inflação de 4,1% ao fim de 2026 e 3,5% em 2027, com forte dependência do comportamento do câmbio.
Inflação e impacto externo
A “inflação importada” foi um dos fatores que contribuíram para a desaceleração da inflação no ano passado, sendo esse efeito menos expressivo no cenário atual. A política monetária tem tido efeito limitado em setores não cíclicos, enquanto a massa salarial robusta sustenta a demanda interna. Especialistas do Daycoval alertam que a valorização do câmbio por si só não resolve o problema da inflação.
Mercado dividido e perspectivas futuras
O mercado está dividido em relação à Selic, com uma minoria apostando em corte de 0,25 p.p. já nesta reunião. A maioria, no entanto, espera que o Copom aguarde dados adicionais e inicie o ciclo de cortes apenas em março. XP e Daycoval concordam que o próximo passo provavelmente será um corte, mas divergem no ritmo de flexibilização. O mercado de juros futuros já precifica queda, enquanto os ativos de risco aguardam a virada de ciclo.
Conclusão
XP Investimentos e Daycoval apresentam projeções semelhantes para o início do ciclo de cortes de juros, divergindo principalmente no ritmo e na intensidade das reduções da Selic. A expectativa é de que o BC mantenha a taxa estável nesta semana, porém sinalize para cortes futuros, adequando o ritmo de flexibilização de acordo com os indicadores de inflação, atividade econômica e câmbio. O mercado permanece atento às próximas decisões do Copom e às consequentes mudanças nos cenários econômicos e nos investimentos.
Fonte original: Estadão
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
