Brasil precisa de ajuste rápido para evitar “erro grego”
O UBS alerta que o Brasil necessita de um ajuste fiscal rápido e consistente, com foco na redução de despesas permanentes. Segundo o banco, a alta carga tributária e a rigidez orçamentária tornam inviável um ajuste baseado no aumento de receitas.
Com a carga tributária já em seu nível máximo histórico, a economia brasileira operando sem capacidade ociosa e juros elevados, o UBS considera que um ajuste gradual não é uma opção viável. O banco cita estudos que demonstram que consolidações fiscais lentas centradas em aumento de Impostos tendem a fracassar, prolongando a incerteza e desestimulando investimentos.
Experiência internacional e argumentos
Casos de países como Canadá, Suécia e Irlanda indicam que ajustes rápidos e concentrados na redução de despesas podem recuperar a confiança dos investidores e reduzir o risco soberano. Em contrapartida, nações que optaram por aumentar Tributos, como Grécia, Itália e França, enfrentaram recessões prolongadas e aumento da dívida.
O UBS sugere um “choque de credibilidade” com foco nas despesas, propondo uma revisão de regras que automaticamente aumentam os gastos públicos, como a indexação do salário mínimo ao PIB. Além disso, a reformulação de benefícios como BPC, auxílio-doença e seguro-desemprego, a limitação de subsídios e renúncias tributárias, assim como a reforma dos incentivos federativos desequilibrados, são medidas sugeridas pelo banco.
Disciplina fiscal e consequências
A falta de disciplina fiscal, de acordo com o UBS, eleva o risco de investimento, pressiona o câmbio e a inflação, além de forçar o Banco Central a manter juros altos por mais tempo. Por isso, um arcabouço fiscal crível é apontado como condição essencial para que a política monetária funcione de forma eficiente.
O banco frisa que optar pelo gradualismo pode ser politicamente conveniente, mas traria custos econômicos significativos. Ressalta ainda que repetir o erro de ajustes lentos em um cenário de juros altos globalmente seria desperdiçar as lições aprendidas após a crise de 2014–2016.
Portanto, segundo o UBS, um ajuste rápido e concentrado na redução de despesas é crucial para estabilizar a dívida pública, recuperar a confiança dos investidores e impulsionar o crescimento econômico no Brasil.
Fonte: Estadão
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
