Regime CLT: preferência de jovens por estabilidade aumenta em 2023
A recente pesquisa da Serasa Experian revela uma tendência marcante no mercado de trabalho brasileiro: uma ampla preferência por empregos sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Neste cenário, a estabilidade proporcionada pela carteira assinada tem atraído especialmente os trabalhadores mais jovens, que buscam segurança em tempos de incerteza econômica. A pesquisa aponta que 78,7% dos brasileiros à procura de emprego preferem a formalidade, sendo que essa porcentagem salta para 92,6% entre a Geração Z e 86,8% entre os Millennials. Este movimento pode impactar diretamente as estratégias de contratação das empresas e a própria dinâmica do mercado de trabalho.
O crescimento do Emprego Formal
O aumento na preferência pelo emprego formal acontece em um contexto onde os dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam uma recuperação do emprego no Brasil. O saldo positivo de 228.208 vagas em março sinaliza um otimismo renovado entre os trabalhadores e um retorno gradual à estabilidade em um cenário de crescimento econômico lento.
Esses números demonstram que a formalização é um tema relevante no debate laboral atual, especialmente em um país onde o trabalho informal tem sido uma alternativa comum para muitos. A situação do mercado de trabalho brasileiro é crítica, e a busca por um vínculo formal, que ofereça garantias e direitos trabalhistas, reflete não apenas a vontade de estabilidade, mas também a necessidade de segurança em tempos de crises financeiras.
A Preferência das Gerações
Os dados da pesquisa da Serasa Experian mostram que a preferência pela CLT é fortemente acentuada entre os mais jovens. No entanto, essa preferência vai diminuindo conforme avançamos nas gerações. Enquanto 92,6% dos integrantes da Geração Z buscam empregos com carteira assinada, apenas 50% dos Baby Boomers têm essa mesma preferência. Entre as gerações intermediárias, a Geração X apresenta uma taxa de 82,9% e os Millennials, 86,8%.
A diferença nas preferências gera uma reflexão sobre as transformações nas expectativas de trabalho ao longo da vida. Os mais jovens tendem a valorizar a formalidade em função de um cenário que ainda carrega resquícios de crise econômica e instabilidade política. Dessa forma, a CLT surge como um símbolo de segurança em um porto seguro, ao passo que os mais velhos se mostram mais abertos a explorar diferentes formas de trabalho, como o trabalho liberal ou terceirizado, que muitas vezes proporcionam uma maior flexibilidade, mas também vêm sem as garantias do emprego formal.
Reinvenção Profissional e Abertura à Mudança
A pesquisa traz também dados sobre a disposição dos brasileiros em mudar de carreira. Ao todo, 69,1% dos entrevistados afirmam estar abertos a novos desafios profissionais nos próximos anos. Essa vontade de reinventar a trajetória profissional é especialmente intensa entre os Baby Boomers. Mais de 82% desse grupo declarou estar disposto a enfrentar novas experiências, uma evidência de que a busca por realização profissional transcende a mera segurança.
Essa abertura à mudança é um reflexo de um ambiente de trabalho em constante transformação. Os profissionais estão reconhecendo que as carreiras podem e devem evoluir ao longo do tempo, adaptando-se às novas exigências e às incertezas do mercado. A pesquisa sugere que, na atualidade, a busca por um significado aproveitando a experiência adquirida ao longo do tempo é cada vez mais valorizada.
Fatores que Influenciam a Permanência no Mercado
Os elementos que motivam os profissionais a permanecerem ativos no mercado de trabalho também variam entre as gerações. Na pesquisa, 39,7% dos entrevistados apontaram que a valorização da experiência acumulada é fundamental, seguida por 38,5% que indicaram um investimento em saúde e bem-estar.
Os Baby Boomers, em particular, demonstram que 36,8% deles pretendem manter-se ativos enquanto tiverem saúde. Esse dado contrasta com os mais jovens, onde a projeção de permanência no trabalho, embora crescente, ainda associada a marcos etários. Por exemplo, 24,6% da Geração Z se veem atuando até os 50 anos, enquanto 42,3% da Geração X planejam estar no mercado entre 60 e 70 anos.
Esses fatores indicam que, apesar da busca por estabilidade, o dinamismo do mercado está alinhado ao desejo dos profissionais de continuar aprendendo e se adaptando às novas demandas. A atratividade das empresas está, portanto, diretamente ligada a esses aspectos, com 28,3% dos entrevistados citando a oferta de salários e benefícios competitivos como fundamentais.
O Que Fazer Agora?
Com a clara preferência pela CLT, especialmente entre as gerações mais jovens, é crucial que empresários e gestores de recursos humanos repensem suas estratégias de contratação e retenção de talentos. Estabelecer um ambiente de trabalho que ofereça segurança e também incentive o desenvolvimento contínuo é mais do que uma necessidade: é uma urgência no cenário atual.
Os empregadores devem estar atentos a esse movimento e considerar ajustes em suas políticas de emprego, visando atrair e reter a força de trabalho jovem, que claramente prioriza a estabilidade. Além disso, criar condições que estimulem a requalificação e a adaptação às novas demandas do mercado pode ser um diferencial competitivo.
Portanto, tanto para os trabalhadores quanto para as empresas, a mensagem é clara: a formalização não é apenas uma preferência, mas uma necessidade em um mercado que busca segurança e preza pelo desenvolvimento contínuo. Adaptar-se a essa nova realidade é fundamental para o sucesso na carreira e na gestão do capital humano.
Fonte original: Infomoney
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