Presidente do Banco Central aponta dificuldades de investidores estrangeiros com a complexidade do sistema fiscal brasileiro
Roberto Campos Neto critica arcabouço fiscal e aponta desafios para investidores estrangeiros
O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fez críticas ao arcabouço fiscal criado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Durante o Seminário Brasil 2025 do Grupo Esfera Brasil, em São Paulo, Campos Neto afirmou que a complexidade desse arcabouço tem dificultado a compreensão por parte dos investidores estrangeiros.
Para o ex-banqueiro central, o foco dos grandes investidores não está no conteúdo do arcabouço fiscal, mas sim na projeção da trajetória da dívida nos próximos anos. Ele destacou a importância de garantir um déficit nominal menor para equilibrar a dívida, ressaltando a necessidade de manter uma taxa de juros de pelo menos 7% a 8%.
Campos Neto também criticou o tamanho da máquina pública vinculada ao governo federal, considerando-a maior do que outros governos de tamanho semelhante, porém sem oferecer serviços proporcionais. Ele alertou para a crescente alta nos gastos públicos, apontando a importância de repensar esse modelo e buscar eficiência na gestão dos recursos.
O ex-presidente do Banco Central ressaltou a necessidade de um “choque fiscal positivo” para viabilizar um novo regime econômico. Ele enfatizou a importância de um debate rigoroso com um governo disposto a enfrentar os desafios, além de uma colaboração efetiva com o Congresso e o Judiciário para evitar possíveis judicializações de questões relevantes para a economia do país.
Campos Neto também indicou que a taxa de juros no Brasil pode não atingir níveis inferiores a 11% ou 12%. Suas declarações reforçam a preocupação com a estabilidade econômica e a necessidade de medidas concretas para promover um ambiente favorável aos investimentos e ao crescimento sustentável.
Em um cenário de incertezas e desafios econômicos, as críticas de Campos Neto ao arcabouço fiscal e às políticas governamentais apontam para a urgência de reformas estruturais e medidas que possam restabelecer a confiança dos investidores internacionais no Brasil. A busca por um equilíbrio fiscal e um ambiente de negócios mais favorável se tornam ainda mais prementes diante das projeções econômicas para os próximos anos.
Nesse contexto, a atuação do governo, em conjunto com os demais poderes, será fundamental para promover as mudanças necessárias e impulsionar o desenvolvimento econômico do país. O debate sobre as políticas fiscais, a eficiência do Estado e a sustentabilidade da dívida pública ganha relevância no atual cenário econômico nacional e internacional.
Fonte original: Infomoney
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