Rendimentos continuam crescendo, mas sem preocupações para o BC
Apesar dos indicativos de desaceleração no mercado de trabalho, os rendimentos apresentaram avanço nas últimas leituras da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Economistas acreditam que a tendência de crescimento real da renda deve se manter nos próximos meses, não gerando, por enquanto, preocupações adicionais para a política monetária.
Segundo o economista Rodolfo Margato, da XP Investimentos, o mercado de trabalho deve permanecer estável, com a taxa de desemprego abaixo do nível de equilíbrio. Ele destaca que a renda real em alta é um dos fatores que sustentam o crescimento da atividade econômica e do consumo.
Projeções positivas para os rendimentos
A XP Investimentos projeta um crescimento real de 3,2% para o rendimento médio em 2025 e de 2,3% em 2026. Além disso, a corretora estima um avanço de 5% na massa de renda real em 2025 e de 3,5% no ano seguinte.
Já o economista Antonio Ricciardi, do Banco Daycoval, destaca que os rendimentos estão em forte crescimento, acima da produtividade da economia. Ele projeta uma alta de 5,8% na inflação de serviços para 2025, longe do teto inflacionário de 4,5%. Ricciardi prevê uma desaceleração dos rendimentos no futuro, o que pode impactar a inflação.
Efeitos na política monetária
Olhando para o cenário da política monetária, o economista André Valério, do Inter, aponta que os rendimentos reais estão perdendo força na comparação interanual. Ele destaca que o avanço dos salários está relacionado ao pós-pandemia, quando houve uma deterioração da renda real por conta da inflação.
O Inter prevê o início do afrouxamento monetário em janeiro, com um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic. O banco acredita que o desemprego ficará em 5,5% no final de 2025 e em 6,5% em 2026. O economista ressalta que, apesar do arrefecimento no mercado de trabalho, não há indícios de impactos drásticos.
Previsões para a inflação e juros
Margato, da XP, destaca que a melhora recente no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) não traz grandes preocupações para o Banco Central cortar os juros no início de 2026. No entanto, a inflação de serviços, reflexo do mercado de trabalho, ainda é um fator de risco na política monetária.
A XP estima o início do afrouxamento monetário em março de 2026, com um corte de 0,50 ponto, seguido de mais cinco cortes da mesma magnitude, levando a Selic para 12% no final do próximo ano.
Em resumo, os rendimentos seguem em alta, impulsionados pela renda real. Apesar das projeções positivas para a economia, as incertezas em relação à inflação e ao mercado de trabalho ainda são fatores a serem acompanhados de perto pelo Banco Central e pelos agentes econômicos.
Fonte original: CNN Brasil
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
