Indústria do cacau prevê prejuízos milionários com possível alteração no drawback

Proposta de mudança no drawback pode causar perdas bilionárias para indústria do cacau

A Associação Nacional da Indústria Processadora de Cacau (AIPC) alerta que a possível redução do prazo do drawback de dois anos para seis meses, em estudo pelo governo federal, pode acarretar em uma perda de até R$ 3,5 bilhões em exportações de derivados de cacau nos próximos cinco anos. Além disso, a medida alerta para o risco de até 5 mil empregos serem afetados no setor.

O drawback é um mecanismo que permite a suspensão de Tributos sobre insumos importados destinados à produção de bens para exportação. A AIPC ressalta que a redução do prazo para seis meses causaria um descompasso entre o ciclo industrial e comercial da atividade, juntamente com as exigências fiscais do regime.

Impactos econômicos e produtivos

Dados do setor indicam que 92% dos contratos de exportação possuem prazo superior a 180 dias, tornando incompatível a proposta de redução do prazo vigente. Atualmente, cerca de 22% das amêndoas utilizadas na indústria processadora brasileira são importadas, sendo a maioria das operações vinculadas ao regime de drawback.

Sem esse mecanismo, a indústria perderia competitividade no mercado internacional e teria sua capacidade de processamento reduzida. Estima-se que a diminuição do prazo poderia resultar em uma redução de moagem entre 10% e 20%, além de um aumento da ociosidade industrial para mais de 35%.

Previsões para os próximos anos

No horizonte de cinco anos, a medida poderia resultar em uma perda acumulada de exportações entre US$ 400 milhões e US$ 700 milhões – o equivalente a até R$ 3,5 bilhões. Além disso, a redução da atividade industrial poderia levar a uma queda na demanda por amêndoa nacional, afetando diretamente a base produtiva.

A presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, destaca que a indústria brasileira de cacau possui uma capacidade instalada de aproximadamente 275 mil toneladas, mas operou com cerca de 30% de ociosidade em 2025, processando cerca de 195 mil toneladas.

Possíveis consequências econômicas e trabalhistas

Estudos indicam que a medida proposta também poderia resultar em uma retração da atividade econômica, redução das exportações e pressão inflacionária devido ao aumento dos custos da matéria-prima. O economista chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Joao Gabriel Pio, alerta que a medida tende a elevar custos ao longo da cadeia produtiva, reduzindo a produção e a competitividade da indústria, o que resultaria na perda de postos de trabalho.

Para a AIPC, o enfrentamento da queda no preço do cacau exige instrumentos adequados e diálogo colaborativo entre os diferentes elos da cadeia produtiva. A entidade sugere a utilização de mecanismos como preço mínimo, política de estocagem, crédito direcionado e ampliação do acesso a mercados para apoiar os produtores de cacau no Brasil.

Fonte: Estadão

Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

AmdJus - Portal de contabilidade online
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.