Impacto do cessar-fogo na economia brasileira: especialistas avaliam estabilização de inflação e juros

Cessar-fogo e impactos econômicos no Brasil

Com o recente alívio nas tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, a economia global vislumbra momentos de esperança. No entanto, como isso afeta a economia brasileira? Bancos e corretoras alertam para os efeitos que a alta do petróleo já causou na inflação e na taxa Selic, exigindo cautela por parte do mercado financeiro.

A XP Investimentos destaca que o encarecimento da energia ao longo dos últimos meses teve um impacto significativo sobre os preços globais, pressionando as taxas de juros para patamares mais elevados do que o previsto anteriormente. Com isso, a projeção de inflação para o Brasil em 2026 foi ajustada para 4,8%, um aumento em relação à estimativa prévia ao agravamento das tensões.

A corretora Warren Rena também revisou suas projeções para o IPCA, prevendo agora um índice de 4,50%, com possibilidade de chegar a 5,30% em um cenário de agravamento total do conflito. Os efeitos do aumento do petróleo já afetaram o consumidor, refletindo em preços mais altos na gasolina, mesmo que parte desse aumento não esteja diretamente ligado ao custo do barril.

Perspectivas para o mercado global e brasileiro

O Itaú aponta para um cenário em que a normalização das relações no Oriente Médio poderia reduzir o preço do barril de petróleo para cerca de US$ 75 ao longo do ano, embora alerte que o valor de equilíbrio do petróleo permanecerá mais alto do que o previsto anteriormente. Contudo, a instituição ressalta que o caminho até essa estabilização pode ser turbulento, com a possibilidade de os preços dispararem para US$ 180 em caso de falha na diplomacia e persistência de fechamento no Estreito de Ormuz.

Diante desse cenário de riscos, o afrouxamento da política monetária sofre impactos diretos, com o mercado revisando para baixo o tamanho do ciclo de cortes de juros. Enquanto nos Estados Unidos o Itaú descarta cortes de juros devido à resiliência da atividade econômica, no Brasil, a expectativa é de uma taxa Selic terminal de 13%, com cortes mais graduais de 25 pontos-base.

Impactos na economia brasileira

A Forum Investimentos elevou sua projeção para a taxa Selic ao fim de 2026 de 12,00% para 13,00%, acompanhada de uma redução na estimativa de crescimento do PIB de 2,2% para 1,8%. Outras instituições como Itaú e Daycoval mantêm a projeção de crescimento em 1,9%, apontando que o impacto dos juros elevados e da desaceleração global está sendo compensado pelo aumento nas receitas de exportação de petróleo brasileiro.

Apesar da perspectiva de calmaria geopolítica trazer alívio a longo prazo, a incerteza persiste, especialmente quanto à profundidade e duração dos gargalos e seus impactos sobre as cadeias globais de suprimentos. A economia brasileira, impulsionada pelos ganhos de arrecadação, demonstra resiliência, porém, o custo da energia já comprometeu parte do poder de compra e limitou a margem de atuação do Banco Central.

O mercado segue atento às próximas movimentações e, mesmo com a trégua temporária, os efeitos da crise no Oriente Médio continuarão refletindo em inflação e juros mais altos no Brasil ao longo de 2026.

Fonte: InfoMoney

Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

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