Imposto de Renda perde força para promover justiça fiscal, aponta estudo
Um recente relatório divulgado no Congresso Nacional aponta que ao longo de um século, o Imposto de Renda no Brasil perdeu sua capacidade de promover justiça fiscal. De acordo com o estudo, o modelo atual acaba sobrecarregando os rendimentos do trabalho e protegendo a renda do capital por MEIo de isenções e regimes favorecidos, o que reduz a progressividade do tributo.
O relatório intitulado “Um século de Imposto de Renda no Brasil” foi elaborado pelo centro de pesquisa Justa em parceria com o Inesc e apoio do Observatório Social da Política Fiscal da Unilab. O documento faz parte de um movimento em prol de uma nova reforma do Imposto de Renda no país.
Segundo o estudo, para recuperar a progressividade do tributo, é necessário retomar características que existiam até 1965, quando o Imposto de Renda possuía uma maior distância entre a faixa de isenção e a alíquota máxima.
Redução da progressividade e mudança na arrecadação
O relatório destaca que, entre 1947 e 1961, o Imposto de Renda da Pessoa Física possuía 16 faixas de renda e uma alíquota máxima de 50%. Em contrapartida, em 2024, o tributo apresentava apenas 5 faixas e uma alíquota máxima de 27,5%, evidenciando uma redução na progressividade ao longo do tempo.
Uma mudança significativa na composição da arrecadação do Imposto de Renda também é apontada no estudo. Em 1964, os rendimentos do capital respondiam por 60% da arrecadação, enquanto os rendimentos do trabalho representavam 18%. Já em 2024, essa realidade se inverteu, com 66% da arrecadação proveniente do trabalho e 29% do capital.
Propostas de reforma do Imposto de Renda
O relatório não apresenta uma proposta fechada de nova tabela do Imposto de Renda, mas elenca princípios que deveriam orientar uma reforma do tributo. Entre as recomendações estão a criação de uma tabela progressiva com mais faixas e alíquotas elevadas no topo, bem como a correção automática dos valores pela inflação.
Além disso, o estudo defende a revisão de deduções, isenções e tratamentos preferenciais, a busca por maior isonomia entre a renda do capital e do trabalho, e mudanças na tributação sobre patrimônio e heranças.
Adaptações internacionais e recomendações específicas
O relatório aponta que a perda de progressividade no Imposto de Renda não é exclusiva do Brasil e destaca mudanças observadas em outros países. No entanto, ressalta que a justificativa para tais alterações, ligadas à competitividade fiscal e investimento, não resultou no aumento esperado no investimento produtivo.
A proposta ainda aborda a necessidade de medidas para combater a pejotização e outros planejamentos tributários abusivos, além de destacar a importância da avaliação periódica dos efeitos distributivos do sistema tributário com recorte de raça e gênero.
Diante do atual cenário, a discussão em torno de uma nova reforma do Imposto de Renda se torna relevante, com a divulgação do estudo no Congresso Nacional como parte de uma mobilização em defesa das mudanças necessárias para promover uma justiça fiscal efetiva.
Fonte: Portal Contábeis
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
