Especialista destaca importância da governança específica para Inteligência Artificial
A adoção de Inteligência Artificial (IA) cresceu 163% na indústria brasileira entre 2022 e 2024, segundo dados do IBGE. No entanto, especialistas alertam que a tecnologia precisa de uma governança própria para gerar vantagem competitiva real e não ser subutilizada.
Para Ricardo Villaça, CAIO da DLR AI, manter a IA exclusivamente sob a alçada da área de Tecnologia da Informação pode comprometer a transformação corporativa e a geração de lucros. Ele ressalta que a IA não opera apenas no nível de infraestrutura, mas também na camada estratégica de decisão e vantagem competitiva.
A distinção entre a TI e a liderança de IA é fundamental. Enquanto o papel do CIO é garantir estabilidade e eficiência operacional, a liderança de IA precisa articular estatística, machine learning, estratégia de negócios e arquitetura corporativa para gerar impacto direto em receita, produtividade e posicionamento de mercado.
Em economias mais maduras, como os Estados Unidos e Reino Unido, estruturas dedicadas ao Chief AI Officer estão se consolidando para evitar a pulverização de iniciativas em projetos isolados ou restritos ao escopo técnologico.
No Brasil, o ritmo acelerado de adoção da IA indica a urgência na discussão sobre a governança específica. O desafio atual é transformar a experimentação em escala e o investimento em retorno mensurável.
Villaça destaca a importância de não tratar a IA como ferramenta operacional, mas sim como um ativo estratégico. Ele ressalta que é fundamental que a inteligência artificial tenha protagonismo executivo para redesenhar processos, criar novos modelos de negócio e aumentar a inteligência organizacional ao longo do tempo.
Além da vantagem competitiva, duas questões cruciais são destacadas: a governança da evolução da IA corporativa e a explicabilidade. À medida que os algoritmos influenciam decisões críticas, é essencial tornar seus critérios claros para garantir controle de vieses e alinhamento ético.
A IA não busca substituir o CIO, mas sim inaugurar uma nova camada de gestão corporativa. Empresas que estruturam a função de IA de forma clara tendem a capturar valor de maneira mais consistente, enquanto aquelas que não o fazem correm o risco de investir muito e transformar pouco.
Com o avanço rápido da tecnologia e a crescente pressão competitiva, a discussão sobre a governança específica da IA deixa de ser apenas semântica e se torna estratégica. O desafio das empresas brasileiras não se resume apenas em adotar a IA, mas em definir quem, no nível executivo, será responsável por convertê-la em vantagem sustentável.
Fonte: Agência Brasil
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
