Estudo Destaca Diferenças no Potencial Inflacionário de Salários entre Economias Emergentes e Avançadas
Um estudo realizado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) ressaltou as contrastantes situações dos mercados de trabalho em economias emergentes e avançadas desde o início da pandemia de Covid-19. Os riscos de pressão salarial sobre a inflação aparentam ser limitados em economias desenvolvidas, enquanto nas economias emergentes, o custo unitário do trabalho aumentou consideravelmente pós-pandemia, elevando o risco de desancoragem das expectativas de inflação. Isso pode resultar em um atraso na convergência da inflação às metas em alguns países, desafiando os bancos centrais a equilibrar mercados de trabalho frouxos com pressões de preços mais acentuadas.
O estudo “Mercados de trabalho em um ponto de inflexão: tendências de enfraquecimento em MEIo a elevada incerteza”, publicado pelo BIS, destaca que as condições do mercado de trabalho nas economias emergentes permanecem relativamente estáveis, enquanto o desemprego tem aumentado em diversas economias avançadas, com indicadores prospectivos indicando um enfraquecimento adicional.
Mercados de Trabalho nas Economias Emergentes e Avançadas
Forças cíclicas e estruturais estão influenciando esses desenvolvimentos, incluindo desregulamentação e pressões demográficas como o envelhecimento e a participação de trabalhadores mais velhos. Após um período de aperto devido à pandemia, os mercados de trabalho nas economias avançadas estão retornando ao equilíbrio, com taxas de desemprego aumentando em várias jurisdições e indicativos de novos enfraquecimentos. Enquanto isso, as condições do mercado de trabalho nas economias emergentes permanecem predominantemente estáveis, embora com variações entre os países.
Tendências Estruturais e Impacto no Mercado de Trabalho
O estudo aponta que além dos fatores cíclicos, forças estruturais continuam moldando os resultados do mercado de trabalho, como desregulamentação, mudanças na oferta de trabalho por MEIo da imigração e uso crescente de trabalhadores mais velhos, além das incertezas trazidas pelas novas tecnologias, especialmente a inteligência artificial. A inteligência artificial generativa é destacada como um elemento que pode impactar a produtividade em diversas ocupações, variando de 10% a 55%, podendo tanto complementar quanto substituir empregos ao automatizar tarefas rotineiras. Embora ainda não haja uma perda generalizada de empregos, os efeitos da inteligência artificial variam entre setores e dependem do nível de digitalização e das políticas de mercado de trabalho de cada país.
Conclusão
Diante dessas análises, é evidente a diferença no potencial inflacionário de salários entre economias emergentes e avançadas, com os desafios específicos enfrentados por cada uma. Os bancos centrais se veem em uma posição delicada ao tentar equilibrar mercados de trabalho distintos, mas comum a ambos os cenários é a importância de entender e adaptar-se às forças estruturais e cíclicas que moldam o mercado de trabalho atualmente. Este estudo serve como um alerta para a complexidade e dinamicidade dessas questões e a necessidade de políticas adequadas para lidar com os desafios presentes e futuros nesse âmbito.
Fonte original: Estadão
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
