Dívida em alta: brasileiros seguirão pagando juros altos e enfrentando desemprego em 2026

Brasileiros enfrentam desafios financeiros em 2026

O cenário econômico para 2026 no Brasil indica que, mesmo com recordes de renda em 2025, os consumidores brasileiros devem continuar pressionados por altas taxas de juros e desaceleração econômica. Mesmo com a perspectiva de queda da taxa básica de juros, Selic, a partir de março, a projeção é de que os juros permaneçam acima de dois dígitos até o final do ano, em torno de 12%.

Os altos juros tendem a impactar a economia, com possíveis consequências como menor geração de empregos e menor aumento da renda das famílias. A estabilização nos indicadores econômicos ou até mesmo um recuo são esperados para 2026, após um ano de recordes de emprego e renda em 2025.

Segundo a coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), Silvia Matos, o endividamento das famílias atingiu um patamar histórico, e a expectativa é de que o crédito como um todo não cresça, o que pode contribuir para a desaceleração do crescimento econômico.

Dados do Banco Central revelam que, ao final de 2025, o endividamento das pessoas físicas chegou a 49,77%, com aumento de 1,14 ponto percentual em relação a janeiro do mesmo ano. A inadimplência também cresceu, passando de 3,78% no início do ano para 5,05% em dezembro, um avanço de 1,27 ponto percentual.

O comprometimento da renda das famílias com dívidas também apresentou aumento, passando de 27,57% no início de 2025 para 29,28% no final do ano. Excluindo créditos habitacionais, os brasileiros gastam cerca de 27% da renda para quitar suas dívidas, em comparação aos 25% de janeiro do mesmo ano.

Para os especialistas, a dificuldade financeira enfrentada pelos brasileiros decorre, em parte, do rolamento da dívida, dos efeitos dos juros compostos e de um cenário amplo ligado aos impactos econômicos da pandemia de Covid-19. A flexibilização bancária e o fácil acesso ao crédito sem uma educação financeira adequada também têm contribuído para o aumento do endividamento e da inadimplência.

Mesmo com a melhora no emprego e na renda, os juros elevados têm encarecido as dívidas. Em dezembro de 2025, a taxa média de juros paga pelos cidadãos atingiu 60%, um aumento de 7% ao longo do ano, mesmo com a taxa básica de juros em 15%.

Diante desse cenário, a perspectiva para 2026 é de desafios com juros altos, persistência do endividamento e da inadimplência. Mesmo com um mercado de trabalho robusto, a desaceleração econômica e a falta de educação financeira podem agravar a situação financeira dos brasileiros no próximo ano.

Fonte: Valor Econômico

Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

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