Decisão judicial libera aplicação de tarifas de navegação no rio Amazonas

Justiça autoriza cobrança de “taxas secas” no transporte fluvial

A Justiça estadual de São Paulo autorizou a cobrança das chamadas taxas secas na navegação do rio Amazonas, suspendendo decisão anterior da ANTAQ que proibia a prática. A medida foi concedida em caráter liminar pela 14ª Vara Cível de São Paulo, em ação movida pela Abac, entidade que representa empresas do setor.

Com a decisão, as empresas associadas à entidade agora avaliam a possibilidade de cobrar retroativamente as taxas secas, o que pode impactar significativamente as empresas que utilizam o transporte fluvial na região Norte do Brasil.

O que são as taxas secas na navegação fluvial

As taxas secas são sobretaxas cobradas por empresas de transporte aquaviário em períodos de estiagem severa, quando a redução do nível dos rios compromete a navegabilidade.

Decisão da Justiça e entendimento sobre a atuação da ANTAQ

Ao conceder a liminar, a juíza Noemi Martins de Oliveira considerou que a ANTAQ ultrapassou sua competência regulatória ao desconsiderar estudos técnicos da Marinha do Brasil sobre a navegabilidade do rio Amazonas. Segundo a magistrada, cabe à Autoridade Marítima supervisionar o tráfego e a segurança da navegação com base em dados hidrológicos oficiais.

A juíza reconheceu a ilegalidade de acórdãos anteriores da ANTAQ que mantinham a suspensão das cobranças com base em estudos internos da agência reguladora.

Dragagem do rio Amazonas e impactos estruturais

O debate sobre as taxas secas acontece em um contexto mais amplo que envolve a dragagem insuficiente do rio Amazonas e do rio Negro, apontada pelo setor privado como um dos fatores que agravam os problemas de navegabilidade na região Norte do país.

Em setembro de 2024, o nível do rio Negro registrou uma queda significativa, impactando diretamente a operação de grandes embarcações. Apesar dos planos do governo federal para resolver o problema, armadores afirmam que as ações até o momento não foram suficientes para restabelecer a plena navegabilidade.

Suspensão de licitação portuária em Santos

Além da questão das taxas secas, a Justiça Federal suspendeu, por decisão liminar, o processo de licitação da Autoridade Portuária de Santos para cessão de área retroportuária. A suspensão ocorreu após ação apontando falhas no edital e possíveis restrições à concorrência.

A decisão é provisória e será analisada posteriormente no julgamento do mérito. A Autoridade Portuária informou que irá recorrer dessa decisão.

Conclusão

As decisões judiciais recentes reforçam a tendência de judicialização de temas regulatórios no setor aquaviário e portuário, impactando diretamente os custos logísticos e a segurança jurídica das operações, principalmente na região Norte do Brasil. A disputa gira em torno da competência regulatória entre entidades, como a ANTAQ e a Marinha do Brasil, e dos impactos estruturais, como a dragagem dos rios, na navegabilidade da região.

Fonte original: Agência Brasil

Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

AmdJus - Portal de contabilidade online
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.