Brasileiros enfrentam “burnout financeiro” devido a dívidas e custo de vida
O aumento do custo de vida, salários defasados e endividamento crescente têm levado cada vez mais brasileiros ao esgotamento emocional e físico causado pelas preocupações financeiras, conhecido como “burnout financeiro”.
Nos últimos anos, a percepção de aperto no orçamento tem se intensificado, especialmente entre trabalhadores de baixa renda, que representam uma parcela significativa da força de trabalho no país.
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em setembro de 2025, o valor recomendado para um salário mínimo ideal era de R$ 7.075,83, suficiente para cobrir despesas essenciais. No entanto, o salário mínimo em vigor é de apenas R$ 1.518, o que representa menos de um quinto do necessário para viver com dignidade.
A defasagem salarial pressiona ainda mais os trabalhadores de baixa renda, que enfrentam dificuldades para atender todas as suas necessidades básicas, como alimentação, moradia, saúde e lazer.
Custo de vida em ascensão e impacto na saúde financeira
Apesar de indicadores de inflação mais controlados, o custo de vida tem subido mais rapidamente do que a renda da população. Itens essenciais como alimentação, moradia, energia elétrica e serviços têm aumentado acima da média geral, resultando em uma sensação de aperto financeiro constante para muitas famílias.
O endividamento das famílias brasileiras também atingiu níveis preocupantes, com cerca de 30% da renda sendo destinada ao pagamento de dívidas, de acordo com relatório do Banco Central. O cartão de crédito, o cheque especial e o crédito pessoal, devido às altas taxas de juros, contribuem significativamente para esse cenário de pressão financeira.
Sinais de burnout financeiro e impacto na saúde mental
Os sintomas associados ao burnout financeiro incluem medo de verificar extratos bancários, culpa ao realizar gastos essenciais, ansiedade em relação ao futuro, noites de sono interrompidas por preocupações e sensação de falta de controle sobre o orçamento. Esses sintomas podem resultar em irritabilidade, cansaço persistente e impacto direto na saúde mental dos indivíduos.
Pesquisa realizada pelo Serasa mostrou que a falta de dinheiro compromete a saúde mental de 84% dos brasileiros, levando a perdas de sono e preocupações constantes. Muitos ainda escondem suas dificuldades financeiras, agravando o quadro de estresse emocional e dificultando a busca por ajuda.
Estratégias para lidar com o burnout financeiro
Para enfrentar o burnout financeiro, é essencial realizar um diagnóstico completo da situação financeira, buscar a renegociação de dívidas, evitar contrair novas obrigações financeiras, criar um fundo de emergência, contar com apoio profissional como consultores financeiros e investir em cuidados com a saúde mental.
Ademais, estratégias para ampliar a renda, como capacitação profissional, trabalhos temporários e recolocação no mercado, também podem ajudar a aliviar a pressão financeira a longo prazo. É importante buscar ajuda e adotar medidas concretas para restabelecer o equilíbrio financeiro e mental diante de um cenário de estresse econômico crescente.
Fonte: Exame
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