Acordo UE-Mercosul: um marco nas relações comerciais
Marian Schuegraf, embaixadora da União Europeia no Brasil, demonstra otimismo em relação à aprovação do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul, após 26 anos de negociações. A expectativa de assinatura do tratado até o final deste ano é vista como um desafio ambicioso, porém alcançável com vontade política.
A Comissão Europeia validou a versão final do tratado na última quarta-feira, buscando garantir segurança ao setor agrícola e reduzir a resistência de países como a França, contrários ao acordo. Agora, é necessário que os Estados-membros da UE aprovem o texto e o encaminhem para votação no Parlamento Europeu.
Schuegraf destaca que o recente aumento das tarifas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, não foi um fator determinante para o fechamento do acordo, pois ambos os lados já estavam empenhados na conclusão das negociações.
O processo burocrático envolvendo a tradução do texto para os 24 idiomas oficiais da UE é mencionado pela embaixadora, que reconhece a possibilidade de dificuldades na votação no Parlamento, mas acredita que o acordo sairá do papel.
Segundo interlocutores do governo brasileiro, já há maioria no Conselho Europeu para a aprovação do tratado. Com promessas de proteção aos agricultores europeus, espera-se uma redução na resistência ao acordo no Parlamento da União Europeia. A previsão é que a assinatura ocorra em Brasília, no próximo mês de dezembro, durante uma reunião dos presidentes do Mercosul.
A entrada em vigor do tratado poderá acontecer em etapas. A parte comercial, dependente da aprovação por maioria simples no Parlamento Europeu, entrará em vigor de imediato. Já no Mercosul, a validação se dará conforme a aprovação dos legislativos dos países envolvidos.
Na parte comercial, os exportadores europeus de automóveis se beneficiarão da eliminação gradual das atuais tarifas de 35%. As tarifas do Mercosul sobre produtos industriais como autopeças, máquinas, produtos químicos, vestuário e têxteis também serão eliminadas em prazos diferenciados, por setor. Em contrapartida, a UE concederá acesso limitado a produtos agrícolas do Mercosul, como carnes bovinas e de aves e açúcar.
Com possíveis impactos significativos na economia e no comércio internacional, o acordo entre a UE e o Mercosul representa um marco nas relações comerciais entre os dois blocos, prometendo impulsionar o crescimento econômico e a integração regional.
Fonte: CNN Brasil
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
