O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em uma cúpula sobre inteligência artificial que as novas tarifas comerciais do país terão alíquota mínima de 15% e poderão chegar a 50%. O Brasil é o único país que pode ser sujeito à taxa máxima entre aqueles que receberam notificações da Casa Branca recentemente. A medida está programada para entrar em vigor em 1º de agosto, com a possibilidade de aumentar o piso das tarifas dos atuais 10%.
Trump justificou a decisão afirmando que os países afetados pela alíquota mais alta são aqueles com os quais os EUA não estão se dando bem. O Brasil foi incluído na lista de alvos após críticas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e a supostas práticas desleais de comércio, segundo a Casa Branca. Uma investigação foi aberta posteriormente, incluindo o Pix e a Rua 25 de Março.
Enquanto o governo dos EUA pressiona por mudanças políticas no Brasil, o governo brasileiro está buscando maneiras de evitar prejuízos econômicos. O Palácio do Planalto e o Ministério da Fazenda estão avaliando medidas emergenciais, como a criação de um fundo temporário com crédito para empresas impactadas pelas tarifas. O setor siderúrgico, por exemplo, seria um dos beneficiados, uma vez que depende das exportações para os EUA.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que o plano já está finalizado. Além disso, o vice-presidente Geraldo Alckmin propôs o envio de uma comitiva interministerial a Washington, com o intuito de buscar um adiamento de até 90 dias das tarifas e iniciar negociações comerciais. Como contrapartida, o Brasil poderia remover barreiras a produtos americanos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o governo também defendem o adiamento das tarifas, temendo impactos imediatos. Paralelamente, o presidente Lula busca fortalecer os laços com o México como uma estratégia adicional.
Outra frente de atuação é sensibilizar os consumidores americanos. Empresários e representantes do agronegócio estão sendo orientados a mostrar os efeitos das tarifas sobre os preços de produtos do cotidiano, como carne, suco de laranja e café. Algumas empresas, como uma distribuidora de suco nos EUA, já acionaram a Justiça alegando aumento de custos e risco de demissões devido às tarifas.
Apesar dos esforços de negociação, há obstáculos a serem enfrentados, como a influência de Eduardo Bolsonaro na Casa Branca. O filho do ex-presidente afirmou nas redes sociais que usará sua posição para impedir que o governo americano receba comitivas vindas do Brasil, como forma de pressionar pela anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo seu pai.
O Brasil também reagiu na Organização Mundial do Comércio (OMC), por MEIo do embaixador brasileiro Philip Gough, criticando o uso de tarifas para interferência política. Ele classificou a medida como um “ataque sem precedentes ao sistema multilateral de comércio” e destacou que as tarifas representam um “atalho perigoso para a instabilidade e a guerra”.
Diante desse cenário, o Brasil continua empenhado em buscar alternativas e soluções para lidar com as novas tarifas impostas pelos EUA, mantendo o diálogo e a busca por acordos que possam minimizar os impactos econômicos no país.
Fonte original: InfoMoney
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
