Argentina prepara retorno aos mercados de crédito internacional
O risco-país da Argentina atingiu sua menor marca em quase oito anos, ficando abaixo dos 500 pontos-base. Esse cenário positivo, com referencial em 499 pontos, aloca o país em um patamar que poderia viabilizar seu retorno aos mercados internacionais de crédito.
Analistas destacam que a ação do Banco Central da República Argentina, com a compra diária de dólares, o aumento na paridade dos títulos soberanos argentinos e a estabilidade política do presidente Javier Milei têm contribuído para essa condição favorável no mercado financeiro.
Referencial de risco em queda
Por volta das 14h no horário de Brasília, o referencial de risco estava em 499 pontos-base, ante os 510 pontos-base do dia anterior. Essa queda representa um rompimento de uma resistência anteriormente estabelecida em 550 pontos-base, apontando para um possível recuo aos 450 pontos-base, nível semelhante ao observado no Equador.
Potencial emissão no mercado internacional
O economista-chefe do Grupo SBS, Juan Manuel Franco, ressalta a possibilidade de a Argentina seguir os passos do Equador, recente emissor internacional. As taxas obtidas pelo Equador, de 8,75% e 9,25% para títulos de 8 e 13 anos, levantam questionamentos sobre quando a Argentina poderá buscar oportunidades semelhantes.
Acumulação de reservas como estratégia
A acumulação de reservas pelo Banco Central argentino é crucial para garantir taxas competitivas em um eventual retorno ao mercado internacional. Com compras diárias que já ultrapassam a marca de US$ 1 bilhão somente em janeiro, as reservas internacionais argentinas se elevam a US$ 45,740 bilhões, conforme dados oficiais provisórios.
Preparativos para a saída ao mercado internacional
O cenário positivo é sustentado pela emissão de debêntures corporativas, as altas taxas em pesos argentinos e a redução da demanda privada por dólares. A estabilidade do risco-país próximo dos 500 pontos-base é considerada fundamental por corretoras como a Cohen.
Com a manutenção desse ambiente favorável, a Argentina busca estabelecer as bases necessárias para uma possível incursão nos mercados de crédito externo, visando a retomada de investimentos e de relações confiáveis com investidores internacionais.
Esse movimento potencial sinaliza não apenas a estabilização económica do país, mas também a confiança renovada nos mercados financeiros globais, demonstrando que a Argentina está pronta para novas oportunidades de crescimento e desenvolvimento econômico.
Fonte: Estadão
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
