Reformulação tributária em heranças e imóveis requer ajustes no planejamento sucessório

Mudança na Tributação de Heranças e Imóveis no Brasil

A Reforma Tributária sancionada pelo presidente Lula da Silva trouxe diversas mudanças na tributação patrimonial do país, afetando diretamente o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) e o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). Com as novas regras, a tributação passa a ser mais rigorosa, seguindo uma lógica progressiva e considerando o valor real dos bens.

A Emenda Constitucional nº 132/2023 estabeleceu que todos os estados devem adotar alíquotas progressivas no ITCMD, o que significa que quanto maior o patrimônio transmitido, maior será o percentual do Imposto. Estados como São Paulo, que aplicavam alíquota fixa, precisarão ajustar suas leis.

A revisão do planejamento sucessório se torna essencial diante dessas mudanças. A combinação entre a progressividade, a base de cálculo pelo valor de mercado e decisões recentes do STF e do STJ destacam a importância de adaptação das estratégias para evitar riscos futuros.

A reforma também passou a abordar a incidência do ITCMD sobre bens e direitos no exterior, e consolidou a não incidência do Imposto na extinção do usufruto. A base normativa nacional do ITCMD estabelecida pelo PLP 108 reduz as zonas cinzentas e amplia o poder de reclassificação do Fisco.

A fiscalização mais integrada e a maior rastreabilidade das operações podem aumentar o risco de estruturas desatualizadas se tornarem passivos relevantes no futuro. A revisão de planejamentos que envolvem holdings familiares, doações sucessivas e reorganizações patrimoniais se faz necessária diante desse cenário.

O tratamento dos bens no exterior e das participações societárias também merece atenção especial, visto que a EC 132 autoriza regras transitórias para tributação de heranças e doações internacionais. O valor de mercado passa a ter mais destaque, sendo importante para evitar autuações futuras.

Para o ITCMD, que antes era mais previsível, passa a exigir uma leitura estratégica. A avaliação real dos bens e a engenharia das faixas progressivas se tornam essenciais para evitar surpresas desagradáveis no futuro. O caminho passa por diagnóstico patrimonial, simulações com novas premissas e revisão de valores.

Além do ITCMD, o ITBI também é impactado pelas mudanças, com a lógica de valor de mercado sendo reforçada nas transmissões onerosas de imóveis. A tendência é de menor espaço para subavaliações, o que pode elevar o custo das operações imobiliárias.

No geral, a regulamentação da Reforma Tributária inaugura um ambiente mais técnico, menos tolerante a distorções e com maior potencial arrecadatório. O desafio agora é mais do que pagar menos Imposto, é preservar o patrimônio com previsibilidade jurídica em um cenário de regras mais duras e fiscalização ampliada.

Por isso, o planejamento sucessório e a transmissão patrimonial continuam sendo legítimos, porém, demandam mais estratégia, documentação e acompanhamento constante para garantir a segurança e eficiência das operações.

Fonte: G1 Economia

Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

AmdJus - Portal de contabilidade online
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.