Pressão russa: crise no Estreito de Ormuz impulsiona uso de fertilizantes como ferramenta de influência

Rússia usa acesso a fertilizantes como pressão política

O bloqueio do Estreito de Ormuz aos navios cargueiros abriu oportunidades para a Rússia. Com a interrupção da rota, o país se destaca como uma alternativa para fornecimento de fertilizantes, sendo o maior exportador global desse insumo. A estratégia do Kremlin é transformar o acesso a esses suprimentos em uma arma de pressão política, buscando apoio no Sul Global e também nos EUA e Europa para flexibilizar as sanções ocidentais.

Durante a pandemia de Covid-19, a Rússia já havia utilizado um modelo semelhante, oferecendo vacinas em troca de acordos econômicos e alinhamento político com países do Sul Global. Essa prática ficou evidente na América Latina, onde as entregas de vacinas foram condicionadas a acordos comerciais e políticos.

No entanto, a capacidade da Rússia de aumentar as exportações de fertilizantes é limitada. Danos em um oleoduto que transporta amônia e ataques a fábricas de fertilizantes reduzem a produção do país. Mesmo com a oferta generosa feita pelo vice-secretário do Conselho de Segurança da Rússia, a disponibilidade de fertilizantes para exportação é restrita.

A estratégia da “diplomacia dos fertilizantes” da Rússia não se restringe ao Sul Global. O país também busca pressionar os Estados Unidos e a Europa, visando obter alívio nas sanções econômicas. Essa abordagem já apresentou resultados nos EUA, que suspenderam sanções contra fabricantes bielorrussos de potássio em MEIo ao temor de altas nos preços de fertilizantes e possíveis crises alimentares.

A União Europeia também pode enfrentar pressão para flexibilizar suas restrições sobre fertilizantes russos. Um relatório que aponta altos níveis de cádmio em fertilizantes marroquinos pode forçar o bloco a considerar as opções de compra de suprimentos de baixo teor de cádmio da Rússia. Essa situação coloca a UE em uma encruzilhada entre financiar a máquina de guerra russa ou manter a dependência de suprimentos potencialmente prejudiciais à saúde pública.

A Rússia tem utilizado a narrativa da crise em Ormuz para consolidar sua estratégia de pressão política. A “diplomacia dos fertilizantes” é vista como um sucesso para o Kremlin, reforçando a ideia de que a flexibilização das sanções é a única saída viável para as economias ocidentais. Dessa forma, Moscou se posiciona estrategicamente, independentemente do desfecho da situação no Estreito de Ormuz.

Fonte: Estadão

Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

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