Opep+ aumentará produção a partir de outubro
A Opep+ decidiu elevar a produção de petróleo a partir de outubro, com foco na recuperação da participação de mercado, principalmente liderada pela Arábia Saudita. Essa decisão representa uma desaceleração comparada aos aumentos de produção registrados nos meses anteriores, devido à previsão de demanda global mais fraca.
O grupo tem aumentado a produção desde abril, após anos de cortes para estabilizar o mercado de petróleo. A surpreendente decisão de aumentar ainda mais a produção vem em um cenário de possível excesso de petróleo nos próximos meses de inverno no hemisfério norte.
O acordo alcançado envolve um aumento de 137.000 barris por dia a partir de outubro, uma cifra consideravelmente inferior aos aumentos mensais anteriores, que chegavam a cerca de 555.000 barris por dia em setembro e agosto, e 411.000 barris por dia em julho e junho.
Desaceleração na segunda rodada de cortes
A Opep+ iniciou o processo de reversão de uma segunda rodada de cortes de aproximadamente 1,65 milhão de barris por dia de oito membros, mais de um ano antes do previsto. Já haviam sido revertidos completamente os cortes de 2,5 milhões de barris por dia desde abril, equivalente a cerca de 2,4% da demanda global.
Segundo Jorge Leon, analista da Rystad, o aumento na produção tem mais a ver com sinalização do mercado do que com os volumes em si. A prioridade da Opep+ atualmente é conquistar uma maior participação no mercado, mesmo que isso envolva o risco de redução nos preços.
Futuro da produção e mercado
A Opep+ ressaltou a possibilidade de acelerar, pausar ou reverter os aumentos de produção nas próximas reuniões. A próxima está agendada para 5 de outubro, onde novas decisões poderão ser tomadas diante do cenário de desaceleração da demanda prevista para o quarto trimestre.
Os aumentos na produção da Opep acontecem em um contexto em que a Arábia Saudita busca punir membros como o Cazaquistão por excesso de produção, enquanto os Emirados Árabes Unidos expandem sua capacidade e estabelecem metas mais altas. Donald Trump, presidente dos EUA, pressionou o grupo no início do ano para aumentar a produção, visando reduzir os preços da gasolina internamente.
Impacto nos preços do petróleo
Os preços do petróleo tiveram uma queda de cerca de 15% este ano, levando os lucros das empresas do setor ao patamar mais baixo desde o início da pandemia e resultando em cortes de dezenas de milhares de empregos. No entanto, os preços se mantêm em torno de US$65 por barril, apoiados pelas sanções aplicadas pelo Ocidente contra Rússia e Irã, o que incentiva a Opep+ a seguir ampliando a produção.
Fonte: InfoMoney
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
