Mudanças climáticas impulsionam preços dos alimentos e acentuam desigualdade alimentar
Eventos climáticos extremos estão impactando diretamente a produção agrícola e elevando os preços de alimentos básicos em diversos países, conforme aponta estudo liderado pelo Centro de Supercomputação de Barcelona e divulgado pela The Food Foundation. A pesquisa destaca que a crise climática já afeta a oferta global de alimentos e pode agravar a insegurança alimentar e problemas de saúde pública.
Produtos como café, arroz e vegetais sofrem alta por causa do clima
Entre os alimentos mais afetados estão batata, arroz, frutas, vegetais, azeite, cacau e café. De acordo com o estudo, os picos de preços estão diretamente ligados a secas, ondas de calor e chuvas intensas, cujas ocorrências aumentaram significativamente nos últimos anos.
O Brasil, maior exportador global de café arábica, enfrentou uma seca severa em 2023, o que provocou uma alta de 55% nos preços internacionais da commodity em agosto de 2024. A situação foi agravada por eventos semelhantes no Vietnã, maior fornecedor de café robusta, que viu os preços duplicarem após ondas de calor extremas.
Impacto direto sobre a saúde e o acesso a alimentos nutritivos
O levantamento também revela que alimentos saudáveis — como frutas, vegetais e grãos — já custam, em média, o dobro por caloria em comparação a alimentos ultraprocessados. Com os preços em alta, famílias de baixa renda tendem a reduzir o consumo de alimentos nutritivos, elevando os riscos de desnutrição e de doenças crônicas como diabetes tipo 2, problemas cardíacos e certos tipos de câncer.
Clima extremo contribui para recordes de preços em diversas regiões
O relatório analisou 16 casos em 18 países entre 2022 e 2024. Alguns exemplos incluem:
- Reino Unido: preço da batata subiu 22% em dois meses após chuvas intensas no inverno de 2024.
- Estados Unidos: vegetais da Califórnia e do Arizona registraram alta de 80% em 2022, após seca prolongada.
- Europa: a seca de 2022-2023 provocou um aumento de 50% no preço do azeite na União Europeia, sendo a Espanha a mais afetada.
- Costa do Marfim e Gana: principais produtores de cacau, viram os preços subirem 280% em abril de 2024 após onda de calor severa.
- México: frutas e vegetais ficaram 20% mais caros em janeiro de 2024 devido à seca mais intensa da última década.
Volatilidade dos preços e pressão sobre a inflação
Segundo Maximilian Kotz, autor principal do estudo, os efeitos do aquecimento global estão dificultando o controle da inflação alimentar em diversos países. “O aumento nos preços dos alimentos já é o segundo impacto climático mais percebido pela população mundial, atrás apenas do calor extremo”, afirma.
A pesquisadora Amber Sawyer, do ECIU, destacou que o Reino Unido teve a terceira pior safra agrícola de sua história recente em 2023. Ela afirma que os agricultores britânicos estão alternando entre extremos climáticos, como ondas de calor recordes e chuvas excessivas, o que afeta tanto a produção quanto os preços.
Despesas maiores e risco de colapso no sistema alimentar
No Reino Unido, as mudanças climáticas adicionaram £360 à conta média de alimentos por família apenas entre 2022 e 2023. A projeção da ONU é de que o mundo pode aquecer até 3°C acima dos níveis pré-industriais, um cenário considerado devastador para o sistema alimentar global.
Alerta global e cúpula da ONU sobre sistemas alimentares
O estudo foi publicado às vésperas da Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, realizada no dia 27, com participação de líderes mundiais. O evento, co-organizado por Etiópia e Itália — ambos citados como países impactados —, busca debater medidas urgentes para mitigar os efeitos do clima sobre o abastecimento global de alimentos.
Para os cientistas, sem a redução urgente das emissões de gases de efeito estufa, o clima extremo continuará pressionando os sistemas agrícolas, gerando escassez, inflação alimentar e instabilidade social.
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Fonte: Centro de Supercomputação de Barcelona / The Food Foundation
Fonte: CNN Brasil
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
