Mais de R$ 6 bilhões em fraudes no INSS estão sob investigação
Um levantamento realizado por um advogado especializado em Direito Previdenciário revelou que mais de R$ 6 bilhões em descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão sob investigação. Essas fraudes previdenciárias vão além da atuação de sindicatos e associações, envolvendo o uso de tecnologia, falsificação de documentos e até ocultação de cadáveres.
O estudo, apresentado no livro “Fraudes no INSS – Casos Práticos de Vazamento de Dados, Engenharia Social e Impactos na Proteção Social”, destaca mais de 400 casos documentados, com base em ações judiciais, investigações da Polícia Federal e informações da CPI da Previdência.
Descontos indevidos e associações fraudulentas
A Operação Sem Desconto, realizada em parceria pelo INSS e Supremo Tribunal Federal (STF), investiga os R$ 6 bilhões em descontos irregulares feitos por sindicatos e associações diretamente na folha dos aposentados. Muitas dessas entidades são de fachada e utilizam dados dos beneficiários sem autorização, chegando a forjar consentimentos em gravações de voz.
Esses descontos indevidos visam reaver os valores cobrados ilegalmente dos aposentados, com um acordo estabelecido no STF para que ocorra a devolução dos montantes.
Fraudes no INSS envolvem dados vazados, laudos falsos e biometria facial
As fraudes contra o INSS utilizam estratégias como a engenharia social, em que criminosos manipulam vítimas para obter informações sigilosas ou realizar ações sem serem percebidos. Os golpes vão desde roubo de dados até o uso indevido da identidade de segurados falecidos, com casos em que familiares mantêm os corpos em casa para continuar recebendo benefícios.
Além disso, o levantamento destaca que as fraudes no INSS não são exclusivas do Brasil, evidenciando casos semelhantes em outros países, como nos Estados Unidos, Chicago e Itália.
Tipos mais recorrentes de fraudes contra o INSS
Entre os principais tipos de fraudes previdenciárias contra o INSS, destacam-se:
1. Dublê de perícia médica
2. Saque após o falecimento
3. Laudos médicos comprados
4. Golpe da cesta básica
5. Falsa portabilidade de consignado
6. Golpe da falsa prova de vida
Essas práticas fraudulentas buscam explorar brechas no sistema previdenciário, exigindo respostas mais eficazes dos órgãos de controle para prevenir e combater essas ações ilícitas.
Vendas de dados do INSS alimentam esquema
A comercialização de dados de beneficiários do INSS, como CPFs e datas de nascimento, alimenta diversos tipos de fraudes, facilitando desde abertura de contas bancárias até solicitações de crédito. Antigamente comercializados em papel ou CDs, esses dados agora circulam pela internet com filtros de segmentação mais precisos, ampliando os riscos de fraudes.
Além disso, fraudes como falsas relações familiares para obter pensão por morte e ostentação denunciam irregularidades nos benefícios, exigindo uma abordagem mais efetiva na fiscalização e prevenção de fraudes no INSS.
Conclusão
O combate às fraudes no INSS requer um reforço na proteção de dados, educação digital dos aposentados e melhorias na fiscalização. Profissionais da contabilidade têm papel fundamental na identificação de irregularidades nos documentos de clientes aposentados e pensionistas, auxiliando na prevenção de golpes e na recuperação de valores indevidamente descontados dos benefícios.
Apesar de não haver números exatos sobre o prejuízo causado pelas fraudes, é crucial adotar medidas eficazes para coibir essas práticas ilícitas e proteger os aposentados, pensionistas e o sistema previdenciário como um todo.
Fonte: Receita Federal
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
