Inflação de Serviços em 2026: Desafios e Projeções
O economista Matheus Dias, da FGV-Ibre, prevê que os preços dos serviços continuarão em alta ao longo de 2026. Esse cenário é impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido e pelo aumento da renda disponível das famílias brasileiras. Apesar disso, não é esperado um alívio significativo nos preços deste setor, o que dificulta a convergência da inflação geral para a meta estabelecida.
De acordo com as projeções, a inflação de serviços em 2026 deve ficar entre 5,5% e 6%, enquanto a inflação geral medida pelo IPCA pode chegar a 3,90%. Essa pressão nos preços dos serviços será compensada por outros componentes da inflação, como a inflação de alimentos e bens.
A taxa de desemprego em baixa e o aumento da renda disponível da população são os principais fatores que contribuem para a alta nos preços dos serviços. Itens como alimentação fora do domicílio, passagem aérea, turismo e hospedagem tiveram variações expressivas em 2025 devido ao aumento da demanda impulsionado pela situação econômica favorável.
Além disso, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais deve aquecer ainda mais a demanda por serviços, como restaurantes, cabeleireiros e empregados domésticos. Essa medida pode resultar em um “choque de consumo” que impactará diretamente nos preços dos serviços ao longo do ano.
No entanto, a manutenção desses preços elevados pode influenciar o ritmo de queda da taxa básica de juros, a Selic. Embora as projeções indiquem cortes na Selic ao longo de 2026, a manutenção da pressão nos preços dos serviços pode limitar a redução da taxa, que pode encerrar o ano entre 12,5% e 13%.
Por fim, eventuais fatores externos e incertezas políticas, como eventos geopolíticos que afetem o preço do petróleo e a volatilidade do câmbio em ano eleitoral, são apontados como pontos de atenção que podem impactar os preços monitorados e a inflação como um todo. O economista ressalta a importância de analisar esses cenários para compreender o panorama econômico para o ano de 2026.
Fonte: Estadão
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
