Fiemg alerta que tarifaço pode cortar 146 mil empregos e reduzir R$ 2,74 bi de renda em 2 anos
A imposição de tarifas adicionais de até 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode ter impactos significativos na economia do Brasil, alerta estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). A medida, que entra em vigor imediatamente, pode resultar em uma redução de R$ 25,8 bilhões no PIB brasileiro a curto prazo e de até R$ 110 bilhões a longo prazo.
Segundo a Fiemg, a imposição das tarifas extras pode acarretar na redução de 146 mil postos de trabalho formais e informais, bem como em uma perda de renda das famílias que pode alcançar R$ 2,74 bilhões em dois anos. Os setores mais atingidos, de acordo com o estudo, serão a siderurgia, a fabricação de produtos de madeira, calçados e máquinas e equipamentos mecânicos.
Impacto setorial e geográfico
Na agropecuária, em especial na cadeia da carne bovina, o impacto também é sentido, uma vez que o setor permanece fora da lista de isenções tarifárias e representa uma parcela significativa da pauta exportadora nacional.
O Brasil exportou aproximadamente US$ 40,4 bilhões para os EUA em 2024, equivalente a 1,8% do PIB nacional. Setores como combustíveis minerais, ferro e aço, e máquinas e equipamentos serão diretamente afetados pelas novas tarifas impostas pelos EUA.
Impactos em Minas Gerais
Minas Gerais, como o terceiro maior Estado exportador para os EUA, com US$ 4,6 bilhões em exportações em 2024, também será fortemente afetado pela medida. O estudo da Fiemg destaca que o Estado terá cerca de 37% de suas exportações isentas, com destaque para itens como ferro fundido, ferro-nióbio e aeronaves. No entanto, 63% da pauta mineira permanece sujeita à tarifa, atingindo produtos como café, carnes bovinas e tubos de aço.
No curto prazo, a economia mineira poderá ter uma perda de R$ 4,7 bilhões no PIB e uma redução de mais de 30 mil empregos em até 2 anos. A Fiemg alerta que em um horizonte de 5 a 10 anos, os impactos podem ultrapassar R$ 15,8 bilhões no PIB estadual e eliminar mais de 172 mil postos de trabalho, principalmente nos setores de siderurgia, pecuária, fabricação de produtos de madeira e calçados.
Posicionamento da Fiemg e apelos por negociação
O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, ressalta a importância de maturidade e diálogo institucional em momentos como esse. Para ele, a imposição das tarifas unilateralmente e sem negociação com o governo brasileiro evidencia a necessidade de atuação diplomática para ampliar o número de produtos isentos, preservar a competitividade no mercado internacional e proteger empregos e investimentos nacionais.
Diante dos impactos projetados pelo estudo, a Fiemg destaca a urgência de medidas que possam minimizar os efeitos negativos do tarifaço e buscar alternativas para proteger a economia e o mercado de trabalho brasileiros.
Fonte original: CNN Brasil
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
