Expectativa é de manutenção da Selic em 15% pelo Copom, mas quando virão os cortes de juros?

Copom deve manter Selic em 15% e mercado debate cortes de juros

Após a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que encerra hoje, a expectativa é de manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15%. Mesmo com indicadores de inflação em queda e sinais de eficácia da política monetária contracionista, a decisão é vista como uma pausa para observar a reação da economia nos próximos meses, especialmente em relação ao mercado de trabalho e às tarifas comerciais de Donald Trump.

Os economistas da XP projetam o início do ciclo de cortes para janeiro de 2026, chegando a 12,50% no final do ano que vem. No entanto, o mercado já debate a possibilidade de um corte ainda em 2025, sendo mais provável a partir de dezembro deste ano, de acordo com a XP.

Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA, enxerga espaço para uma redução de juros ainda em 2025, destacando fatores como o início do corte nos EUA e a pressão por uma atividade econômica mais forte em ano de eleição, o que poderia antecipar o corte para dezembro deste ano.

Indicadores econômicos e projeções

Os indicadores de inflação têm apresentado recuos desde a última reunião do Copom, em junho. As projeções indicam uma redução da inflação de 4,9% para 4,8% no final de 2025 e de 3,6% para 3,5% no final de 2026, porém ainda distantes da meta de 3%.

A análise da XP destaca que os efeitos do tarifaço de Trump podem acelerar esse recuo, devido a uma maior oferta doméstica levando à redução de preços. Além disso, o mercado de trabalho e a produção industrial são fatores considerados na discussão sobre os rumos da economia.

Impacto das tarifas de Trump e estímulos econômicos

As tarifas que o governo dos Estados Unidos ameaça impor às exportações brasileiras podem impactar a atividade econômica interna, com possível consequência deflacionária. Há uma previsão de que as tarifas em 50% entrem em vigor em breve, o que pode gerar excesso de oferta no mercado interno.

Por outro lado, o segundo semestre terá estímulos econômicos, como o pagamento de precatórios, ressarcimento de aposentados lesados pelo INSS e linhas de crédito para reforma de apartamentos, que devem reforçar a atividade econômica e, consequentemente, a pressão inflacionária.

Diante desse cenário, o Banco Central deve manter a taxa de juros até sentir-se seguro em relação aos movimentos deflacionários. A incerteza causada pelas variáveis econômicas atuais torna a manutenção dos juros uma opção mais segura para evitar riscos de corte prematuro.

Conclusão

A decisão do Copom de manter a Selic em 15% reflete a cautela diante do cenário econômico atual, com indicadores de inflação em queda, mas ainda distantes da meta estabelecida. Enquanto o mercado debate a possibilidade de cortes de juros, fatores como o mercado de trabalho, a produção industrial e as tarifas comerciais de Trump continuam a influenciar as projeções econômicas para os próximos meses.

A expectativa é de que o BC adote uma postura de observação e prudência, mantendo a Selic estável até que haja mais clareza em relação aos rumos da economia e aos possíveis impactos das variáveis externas sobre o cenário interno. Acompanhar de perto esses indicadores será fundamental para antecipar as decisões futuras do Comitê de Política Monetária.

Fonte: Valor Econômico

Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

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