Economistas preveem desaceleração moderada do varejo no 2º semestre
Economistas analisam que a queda consecutiva de vendas varejistas nos últimos quatro meses, incluindo o recuo de -0,3% em julho, sinaliza uma desaceleração no setor, especialmente em segmentos ligados à renda, como supermercados. Enquanto isso, o comércio varejista ampliado, que engloba segmentos relacionados ao crédito, teve um aumento de 1,3% em relação a junho, mas apresentou redução de 2,5% comparado ao mesmo período do ano anterior.
Rodolfo Margato, economista da XP, destaca que as atividades dependentes das condições de crédito estão desacelerando devido aos juros altos e ao aumento do endividamento das famílias. No entanto, setores relacionados ao crescimento da renda se mantêm sólidos, impulsionados por um mercado de trabalho robusto e altas transferências fiscais. A previsão é de um leve crescimento nas vendas no varejo ao longo do segundo semestre, sem uma reversão drástica da demanda doméstica.
Análise dos economistas sobre o mercado varejista
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, destaca o desempenho dos setores varejistas em julho, com quedas nas vendas de tecidos, vestuário, calçados e supermercados, e aumentos nas vendas de material de construção e veículos. Apesar de ter sido um mês positivo para o varejo, não foi suficiente para reverter a tendência de queda do setor ao longo do ano. O C6 Bank projeta um desempenho próximo a zero para as vendas no varejo ampliado em 2025, após um crescimento de 3,7% no ano anterior.
Por outro lado, André Valério, economista sênior do Inter, avalia que o setor varejista vem sofrendo uma desaceleração, principalmente devido ao desempenho negativo dos supermercados, que recuam pelo quarto mês consecutivo. A tendência é de continuidade dessa desaceleração nos próximos meses, com piora nas condições de crédito e redução no mercado de trabalho.
Projeções e expectativas para o varejo
Igor Cadilhac, economista do PicPay, projeta uma desaceleração no ritmo de expansão do comércio, devido à retirada dos estímulos fiscais e de crédito, e os efeitos da inflação e juros elevados. No entanto, acredita que essa perda de dinamismo será moderada, sustentada pelo mercado de trabalho aquecido e pela massa salarial robusta. A projeção de crescimento para o setor em 2025 é de 2%.
Em resumo, os economistas enfatizam que, apesar das condições desafiadoras e da desaceleração no varejo, não preveem uma reversão drástica no consumo. A análise mostra um cenário de moderação no crescimento do setor, impulsionado por diferentes fatores econômicos e mercadológicos que influenciam o comportamento das vendas varejistas.
Fonte: InfoMoney
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