Previdência privada perde tração com IOF no VGBL e Selic alta, apontam especialistas
O mercado de Previdência complementar aberta está passando por um período de ajustes, conforme apontam os dados mais recentes. De acordo com a Fenaprevi, entre janeiro e outubro, os aportes no setor totalizaram cerca de R$ 134 bilhões, uma queda de 18,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Por outro lado, os resgates subiram aproximadamente 15%, atingindo cerca de R$ 128 bilhões nesse mesmo período.
A principal explicação para o desempenho mais fraco da captação, de acordo com a Fenaprevi e especialistas consultados pelo InfoMoney, está na cobrança de IOF de 5% sobre aportes em planos VGBL que ultrapassem os R$ 300 mil por seguradora, medida implementada pelo governo federal no primeiro semestre.
Harenton Ribeiro Jr., diretor da consultoria Aon, destaca que a mudança tributária teve uma influência direta no setor de Previdência privada. Ele ressalta que o impacto do IOF foi particularmente significativo no VGBL, modalidade responsável por 63% dos planos ativos e por cerca de 90% de toda a arrecadação do setor.
Além da questão tributária, a conjuntura macroeconômica também contribui para explicar o aumento dos resgates. Com a taxa Selic em 15%, investidores passaram a comparar a Previdência com opções de renda fixa de curto prazo, o que tem levado muitos a optarem por resgatar seus investimentos previdenciários.
Bernardo Castello, presidente da Bradesco Vida e Previdência, destaca que a definição regulatória trouxe um impacto relevante ao mercado, com uma redução de cerca de 40% na receita em VGBL, especialmente em agosto e setembro.
Diante desse cenário, as seguradoras têm ajustado suas estratégias. Na Bradesco, por exemplo, houve um foco maior em outras modalidades de Previdência, como o PGBL, que registrou um crescimento robusto após a implementação do IOF.
Na XP, a resposta tem se concentrado em planejamento e comunicação, reforçando a importância da portabilidade como estratégia. Mesmo com um ambiente mais adverso, a empresa espera fechar o ano com uma captação líquida de cerca de R$ 11 bilhões.
Já na MAG Seguros, a ênfase tem sido na intensificação da orientação e na venda consultiva, sem buscar MEIos de contornar o Imposto. Segundo Gleisson Rubin, diretor de Previdência do Grupo MAG, a Previdência segue sendo eficiente para o planejamento de longo prazo, mesmo com a incidência do IOF.
O cenário atual do mercado de Previdência privada no Brasil envolve desafios em relação à tributação e à atratividade dos investimentos, necessitando que as seguradoras busquem estratégias inovadoras e eficazes para manter a competitividade e atender às demandas dos clientes. A combinação de fatores como o IOF nos planos VGBL, a alta da Selic e as mudanças de comportamento dos investidores tem impactado diretamente o setor, exigindo adaptações e novas abordagens por parte das instituições atuantes nesse mercado.
Fonte: Exame
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
