Escândalo no Itaú: Cortes de funcionários levantam debate sobre vigilância online

Softwares de Gestão Monitoram Funcionários Remotos

No dia 8 de setembro, o Itaú Unibanco demitiu mil funcionários por baixa produtividade, usando dados de softwares de gestão. O episódio reacendeu o debate sobre o uso dessas ferramentas e as métricas de avaliação. A LGPD autoriza o uso dos softwares, desde que os colaboradores sejam informados.

Crescimento do Mercado de Softwares de Produtividade

Com o avanço do trabalho híbrido pós-pandemia, o mercado de softwares de produtividade cresceu. Essas ferramentas acompanham a distribuição do tempo de trabalho, analisam o uso do computador e geram relatórios de desempenho.

A Evope, empresa brasileira que atende clientes como Natura e Banco BMG, utiliza algoritmos para avaliar o uso do computador corporativo, monitorando atividades como tempo ativo, cliques, sites acessados, uso de plataformas da empresa e tarefas automatizadas.

Segurança de Dados e Motivação para Uso

Além da produtividade, as empresas usam essas ferramentas para proteger informações e realizar auditorias. Ferramentas como a Time Doctor afirmam que não coletam conversas pessoais, e-mails ou atividades fora do expediente. Cada empresa pode configurar o software de acordo com suas necessidades.

A Monitoo, por exemplo, não registra teclas digitadas ou cliques. A empresa destaca a importância de classificar o desempenho de acordo com a produtividade e a comparação entre setores, enviando relatórios semanais aos gestores.

Uso Inadequado dos Softwares

Especialistas apontam que a eficácia dos softwares depende da liderança. Eles podem ajudar a atualizar protocolos, identificar gargalos, melhorar a comunicação e avaliar o desempenho dos colaboradores. No entanto, é necessário cuidado para não utilizar essas ferramentas de forma punitiva sem antes dar feedback e permitir ajustes.

Posição do Itaú Unibanco

O Itaú Unibanco informou que as demissões foram baseadas em análises de quatro meses, identificando baixos níveis de atividade digital em colaboradores em regime remoto. O banco considerou que uma média de 75% de atividade digital é adequada, e atividades abaixo desse patamar indicam desvio do padrão e quebra de confiança.

O episódio destaca o desafio das empresas em equilibrar controle de produtividade e respeito à privacidade dos funcionários. Especialistas ressaltam a importância de critérios claros, comunicação transparente e liderança qualificada para garantir relações de trabalho justas.

Conclusão

O uso de softwares de gestão para monitorar funcionários remotos tem se tornado cada vez mais comum. Essas ferramentas podem trazer benefícios em termos de produtividade e segurança de dados, mas é fundamental que sejam utilizadas de forma ética e transparente, levando em consideração o bem-estar e a privacidade dos colaboradores. A discussão sobre o equilíbrio entre controle e respeito às individualidades ganha relevância em um cenário de trabalho remoto em constante evolução.

Fonte: Agência Brasil

Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

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