Aproximando-se da realização da COP30 no solo amazônico em novembro, o Brasil está sob os holofotes globais quando o assunto é sustentabilidade. Este destaque oferece oportunidades valiosas, como acesso a fundos internacionais e maior valorização de ativos verdes. No entanto, o país também enfrenta o desafio de provar a autenticidade e rastreabilidade de suas práticas ESG.
Segundo dados da PwC, 98% dos investidores no Brasil acreditam que muitas empresas praticam o greenwashing, caracterizado pela divulgação de informações enganosas em seus relatórios. Um estudo da Market Analysis Brasil em parceria com o Instituto Akatu revelou que 85% das declarações verdes feitas pelas empresas são superficiais, falsas ou enganosas. Isso ressalta a importância de práticas reais e transparentes de ESG para evitar riscos reputacionais e jurídicos.
A falta de uma estrutura sólida de governança e compliance é apontada como o ponto frágil por trás desses dados alarmantes. Transformar promessas ESG em ações concretas exige mais do que discursos institucionais. O mercado, órgãos reguladores e consumidores buscam provas, dados e evidências tangíveis, em contraposição à era do storytelling.
Com a iminente exigência de relatórios ESG pela CVM a partir de 2026, as empresas brasileiras enfrentarão um novo desafio. É crucial adotar práticas de rastreabilidade ESG eficazes até o final deste ano, visando garantir conformidade legal, transparência e responsabilidade em suas operações.
Especialistas recomendam a implementação de uma estrutura mínima de rastreabilidade ESG, que inclui documentação auditável, sistemas de gestão integrados, comitês ESG, rastreabilidade na cadeia de fornecedores e relatórios transparentes. Além disso, a tecnologia desempenha um papel fundamental na centralização de dados, automatização de processos e garantia de evidências para certificações.
A falta de compliance pode colocar em risco a reputação e a competitividade das empresas no cenário internacional. Com a pressão crescente por práticas sustentáveis e responsáveis, as organizações que não se adaptarem correm o risco de ficarem para trás. Por outro lado, aquelas que investirem em compliance estruturado poderão acessar financiamentos verdes e obter vantagens em contratos públicos.
Com a proximidade da COP30, a pressão para a adoção de práticas sustentáveis e transparentes só tende a aumentar. Os benefícios de uma abordagem assertiva e responsável em relação ao ESG são claros: manutenção da licença social para operar, acesso a financiamentos verdes e preferência em contratos públicos. A hora de agir é agora.
Fonte original: Contabilidade na TV
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
