Economistas analisam possíveis cenários para os juros em 2026
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa de juros em 15%, indicando a expectativa de iniciar um ciclo de cortes no final de 2025 ou início de 2026. No entanto, a diminuição dos juros pode ser afetada pela intensificação dos gastos do governo no ano eleitoral.
De acordo com um estudo da consultoria Outpod, o economista Carlos Honorato projeta que a Selic pode variar entre 9,5% e acima de 12% ao final de 2026, dependendo da postura do governo em relação aos gastos públicos. Isso impactará diretamente o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), podendo variar de 1% a 4%, com risco de recessão em 2027.
Pressão inflacionária e impactos nos juros
O aumento dos gastos do governo, especialmente em ano eleitoral, pode pressionar os preços e elevar a inflação. Com mais dinheiro circulando, a demanda por alimentos e serviços aumenta, tornando mais desafiador controlar os preços por MEIo da taxa Selic. Para compensar, o governo tem optado por aumentar a arrecadação, como no caso do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). No entanto, essa solução é criticada pelo mercado, que sugere uma revisão e corte de gastos para evitar pressões inflacionárias.
Dívida pública e projeções para 2026
A Instituição Fiscal Independente do Senado estima que a dívida bruta pode atingir 84% do PIB e chegar a 85% com gastos mais elevados. O economista Carlos Honorato ressalta que, sem cortes nos gastos, a trajetória da dívida pode se tornar preocupante. Com projeções que variam entre 5% e 6,5%, a inflação deve forçar o Banco Central a manter os juros elevados, acima de 10,5%, o que impacta o acesso ao crédito e o crescimento econômico.
Eleições de 2026 e influência na política monetária
Com o término do mandato de dois diretores do Banco Central, que integram o Copom, em 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá influenciar toda a cúpula monetária do país. Isso levanta questionamentos sobre a credibilidade da política monetária em um ano crucial. Apesar dessa configuração, os especialistas acreditam que o Banco Central deve manter seu plano de corte de juros, desde que a atividade econômica sustente essa decisão.
Impactos além de 2026 e desafios futuros
Os impactos da expansão fiscal em 2026 podem se estender e intensificar nos anos seguintes, levando a um ressurgimento inflacionário persistente, segundo a consultoria Outpod. Isso poderá exigir um novo ciclo de aperto monetário prolongado, comprometendo o crescimento sustentável da economia a longo prazo. Para reduzir as taxas reais de juros e promover investimentos, será fundamental demonstrar sustentabilidade fiscal e estabilidade institucional.
Em resumo, as projeções para os juros em 2026 estão diretamente ligadas às decisões fiscais do governo, que impactam a inflação, o crescimento econômico e a sustentabilidade da dívida pública. A manutenção da estabilidade monetária dependerá da capacidade do país em equilibrar os gastos públicos com a necessidade de conter a inflação e promover um ambiente favorável para investimentos e crescimento econômico.
Fonte: InfoMoney
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
