Economista analisa impacto do petróleo a US$ 100 na economia brasileira
O recente aumento de tensão no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã trouxe preocupações sobre o possível impacto na economia brasileira, especialmente em relação à inflação e à taxa Selic. Apesar de projeções indicarem que o barril de petróleo possa ultrapassar US$ 100 em caso de bloqueios no Estreito de Ormuz, o economista do ASA, Leonardo Costa, acredita que o impacto pode ser menos imediato e mais moderado do que o esperado.
Canais de transmissão da crise internacional para o Brasil
Costa destaca que a crise internacional poderia afetar a economia brasileira por MEIo de três principais canais: inflação, atividade doméstica e contas externas. O temor reside no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas o economista ressalta que a política de preços da Petrobras pode atuar como um amortecedor, suavizando o repasse imediato do choque internacional para os preços na bomba.
Impacto na inflação e no Copom
Um aumento de 10% no preço da gasolina pode adicionar entre 20 e 25 pontos-base ao IPCA, sendo que o efeito do diesel tende a ser mais indireto. Costa aponta que os efeitos inflacionários podem demorar de dois a quatro meses para se consolidar no varejo, afetando inicialmente os preços dos combustíveis e, posteriormente, se espalhando pela cadeia produtiva.
Resiliência da economia brasileira e decisões do Copom
O economista ressalta que a economia brasileira possui certa resiliência a choques externos devido à produção interna, especialmente no setor de petróleo, com destaque para a relevância do pré-sal. Ele acredita que a decisão do Copom em relação à taxa Selic não deve ser influenciada apenas pela escalada do conflito no Oriente Médio, mas sim por sinais mais duradouros sobre o câmbio, expectativas e núcleos de inflação.
Conclusão: pré-sal como fator de proteção
O aumento do preço do petróleo pode impactar as transações correntes do Brasil, mas parte desse ônus é compensado pela forte produção interna, resultante do pré-sal. A expansão da produção no setor petrolífero, juntamente com maiores investimentos e geração de renda, contribui para amenizar os possíveis efeitos adversos de choques externos na economia brasileira.
Em resumo, embora a escalada no conflito internacional e o aumento do preço do petróleo gerem preocupações, a economia brasileira conta com mecanismos que podem suavizar os impactos negativos. A análise do economista do ASA traz um cenário mais otimista no que diz respeito ao impacto do petróleo a US$ 100 na economia nacional.
Fonte: Valor Econômico
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