Calor extremo no Brasil em 2023-2024 e os riscos para a segurança alimentar
Um estudo da FAO aponta o período vivido pelo Brasil entre 2023 e 2024 como exemplo dos graves impactos do calor extremo na segurança alimentar. A análise destaca que o calor intenso, combinado com o El Niño, afetou lavouras, pecuária, florestas, pesca e até a saúde humana.
Segundo o relatório, o calor extremo é uma ameaça urgente e pouco compreendida para a agricultura e a segurança alimentar global. As altas temperaturas e as mudanças climáticas já prejudicam a produtividade das culturas, a saúde dos animais, a disponibilidade de água e os MEIos de subsistência das populações rurais, impactando desproporcionalmente os mais vulneráveis.
No Brasil, as ondas de calor de 2023 e 2024 se somaram a um contexto de aquecimento na América do Sul e no mundo, agravado pelo El Niño. Desde 1979, houve um aumento significativo na frequência e intensidade das ondas de calor no país, afetando regiões antes não impactadas, como a Amazônia e o Nordeste.
Impactos nas culturas de soja e milho
A soja e o milho foram fortemente impactados pelo calor extremo entre outubro de 2023 e maio de 2024. As altas temperaturas coincidiram com os ciclos de desenvolvimento das culturas, principalmente no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, afetando a produtividade. A soja, por exemplo, é sensível ao calor durante as fases reprodutiva e de enchimento de grãos, causando perdas na produção.
As previsões iniciais apontavam para uma safra recorde de 162 milhões de toneladas, mas os impactos do estresse térmico levaram a uma redução para 147,7 milhões de toneladas, uma queda de quase 10%. Em São Paulo, a produtividade da soja teve uma redução de mais de 20% no período analisado.
Impacto na pecuária brasileira
O setor de pecuária enfrentou uma forte pressão devido ao calor extremo. Os suínos foram particularmente afetados, sofrendo estresse térmico severo em grande parte do Brasil. Os bovinos leiteiros também tiveram queda na saúde e na produtividade, principalmente na região Sudeste.
O estresse térmico nos suínos causou redução na ingestão de alimentos e ganho de peso, enquanto nos bovinos leiteiros resultou em diminuição na produção de leite. Esses danos fisiológicos podem persistir ao longo da vida dos animais, impactando também a geração seguinte.
Incêndios florestais e consequências
A onda de calor de 2023–2024 desencadeou incêndios florestais catastróficos no Brasil, especialmente na região Centro-Oeste. Os índices de incêndios ficaram acima da média de longo prazo, devastando uma área equivalente ao tamanho da Itália e gerando poluição severa do ar por micropartículas.
Os picos de risco de incêndio foram mais evidentes no Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste do país, com aumento na variabilidade interanual nas últimas duas décadas. Os incêndios representam perigo para a biodiversidade, o ecossistema e também para a saúde das comunidades afetadas.
Diante desses cenários, o Brasil e outros países precisam adotar medidas de adaptação e mitigação para lidar com os impactos do calor extremo, proteger a segurança alimentar e reduzir os riscos associados às mudanças climáticas. A busca por soluções sustentáveis e o fortalecimento de políticas de resiliência se mostram essenciais para enfrentar os desafios futuros.
Fonte: Estadão
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
