Queda no ‘bônus demográfico’ do Brasil: menos jovens e mais idosos
O Brasil está passando por mudanças significativas em sua estrutura demográfica, com uma diminuição expressiva na participação de jovens e um aumento na parcela de idosos na população. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, em 2012, quase metade dos brasileiros (49,9%) tinham menos de 30 anos. No entanto, em 2025, esse percentual caiu para 41%, representando uma perda de cerca de 10,2 milhões de jovens em pouco mais de uma década.
Essa diminuição no número de jovens não se restringe apenas à participação deles no total da população, mas também ao seu contingente. Em números absolutos, o país passou de 98,2 milhões de jovens em 2012 para 88 milhões em 2025, uma redução de 10,4%.
Envelhecimento acelerado e expansão da terceira idade
Paralelamente, o envelhecimento da população também se intensificou. A proporção de idosos, com 60 anos ou mais, aumentou de 11,3% em 2012 para 16,6% em 2025. O crescimento dos idosos foi observado em todas as regiões do país, com destaque para o Sudeste e Sul, ambas com 18,1%, enquanto no Norte a menor proporção foi registrada, com 11,3%.
Recessão no ‘bônus demográfico’ e mudanças na estrutura etária
Essa transição demográfica no Brasil está levando o país a perder o chamado “bônus demográfico”, período em que há mais pessoas economicamente ativas em comparação com a população dependente (idosos e crianças). O país está se distanciando desse cenário, com implicações econômicas e sociais a longo prazo.
Além da redução no número de jovens, o Brasil também está presenciando uma diminuição na proporção de crianças e adolescentes. Entre 2012 e 2025, a participação de crianças de 5 a 13 anos caiu de 14,6% para 12,2%, e a de adolescentes, de 14 a 17 anos, recuou de 7,1% para 5,5% no mesmo período.
Mudanças nas faixas etárias e equilíbrio de gênero
Por outro lado, houve um aumento na participação de adultos em algumas faixas etárias. A parcela da população de 30 a 39 anos subiu de 15,9% em 2012 para 16,3% em 2025, enquanto na faixa de 40 a 49 anos, passou de 13% para 15% no mesmo período. Já entre 50 e 59 anos, o avanço foi de 10% para 11,8%.
O IBGE observou ainda que, devido à diferença na expectativa de vida entre homens e mulheres, a proporção de homens em relação às mulheres diminui com o envelhecimento. Para cada 100 mulheres com 65 anos ou mais, existem aproximadamente 75,9 homens.
Impactos econômicos e sociais do envelhecimento populacional
A transição demográfica em curso no Brasil tem implicações significativas para a economia e a sociedade. Com menos jovens e uma população envelhecendo, o país se vê diante de desafios como o financiamento da Previdência social, a oferta de serviços de saúde adaptados às demandas da terceira idade e o reequilíbrio do mercado de trabalho.
Essa mudança na estrutura etária da população também pode impactar o crescimento econômico, uma vez que o bônus demográfico, período de maior produtividade e potencial de crescimento econômico, está sendo perdido. A necessidade de políticas públicas e estratégias para lidar com esse novo cenário demográfico se torna cada vez mais premente.
Fonte: Estadão
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
