Banco Central alerta para aumento de endividamento sem garantias e risco de superendividamento

Brasil enfrenta desafio do superendividamento e aumento de empréstimos sem garantia

Segundo o Banco Central, nos últimos anos, o Brasil tem observado um aumento significativo nas concessões de empréstimos pessoais sem garantia, resultando em um maior comprometimento da renda das famílias com cartões de crédito. O BC classificou o superendividamento como um problema em crescimento no país, destacando a necessidade de ações na área de educação financeira e de regulamentação mais rigorosa.

O relatório sobre cidadania financeira do BC ressaltou que, embora a digitalização e a ampliação do acesso ao crédito tragam benefícios, também expõem as pessoas ao superendividamento. A facilidade de acesso ao crédito, sem critérios responsáveis das instituições financeiras, sem proteção ao consumidor e sem educação financeira adequada, leva muitos brasileiros a contrair dívidas que não conseguem pagar.

Aumento de renegociações de dívidas e iniciativas do governo

Com o horizonte das eleições se aproximando, o governo planeja anunciar um novo pacote de medidas para ajudar as famílias endividadas, incluindo a renegociação de dívidas com descontos por MEIo de garantias fornecidas pela União. Já foi implantado um programa com objetivo semelhante entre 2023 e 2024, o Desenrola, que renegociou R$53 bilhões em dívidas de cerca de 15 milhões de pessoas. No entanto, os índices de endividamento continuaram a crescer, apesar das iniciativas de estímulo ao crédito e das altas taxas de juros.

Números alarmantes de superendividamento

De acordo com dados do Banco Central, o número de brasileiros com empréstimos pessoais sem garantia mais que triplicou desde 2020, chegando a 41,7 milhões de pessoas até o final de 2024. No mesmo período, o número de clientes com dívidas no cartão de crédito, tanto no rotativo quanto parcelado, aumentou em 55%, atingindo cerca de 53 milhões de pessoas.

O relatório ainda aponta que o Brasil ultrapassou a marca de 220 milhões de cartões de crédito ativos, o que significa que o país possui mais cartões em uso do que habitantes. Cerca de 96 milhões de pessoas utilizam cartão de crédito, e mais da metade possui dívidas em modalidades com juros que ultrapassam 430% ao ano no rotativo e aproximadamente 200% ao ano no parcelado.

Comprometimento da renda dos usuários de cartão de crédito

Com o aumento do uso de cartões e das taxas de juros em ascensão, o comprometimento médio da renda dos usuários de cartão de crédito com despesas nesse instrumento financeiro passou de 38,5% em 2020 para 54% em 2024. O Banco Central ressaltou a importância de aprofundar estudos sobre o fenômeno das “bets”, que podem intensificar os riscos de endividamento e perda de renda, especialmente entre os públicos mais vulneráveis.

Em suma, as políticas de acesso ao crédito e de renegociação de dívidas se tornaram essenciais para lidar com o desafio do superendividamento no Brasil, enquanto o governo se prepara para novas medidas visando aliviar a situação das famílias endividadas.

Fonte: InfoMoney

Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

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