Acordo entre EUA e Brasil pode envolver Etanol como moeda de troca, revela fonte
Negociações comerciais entre EUA e Brasil podem envolver redução de tarifas para importação de etanol
Segundo o portal Exame, existe a possibilidade de o etanol tornar-se um ponto central nas discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Autoridades do setor sucroenergético brasileiro temem que o presidente dos EUA, Trump, utilize a questão como barganha para diminuir ou eliminar a tarifa de importação de 18% que incide sobre o etanol americano no Brasil.
Desde fevereiro, Trump tem expressado insatisfação com a diferença de alíquotas entre os dois países. Atualmente, o etanol brasileiro paga apenas 2,5% ao entrar nos Estados Unidos, enquanto o produto americano enfrenta uma taxa de 18% ao ingressar no mercado brasileiro.
A pressão dos produtores de milho, matéria-prima do etanol nos Estados Unidos, aumentou nos últimos meses devido às dificuldades para exportar para a China. Como maior produtor global de etanol de milho, o país enfrenta desafios para escoar a safra, o que torna a negociação com o Brasil estratégica.
Oportunidades e desafios para os dois países
Caso a alíquota de importação seja reduzida ou eliminada, os Estados Unidos poderiam aumentar suas exportações de etanol para o Brasil, especialmente se a mistura de etanol na gasolina for ampliada de 10% para 15%. Isso poderia impulsionar a demanda interna e garantir um destino para o excedente de etanol americano.
Mesmo com a tarifa de 18%, os Estados Unidos projetam um aumento significativo nas exportações de etanol para o Brasil na próxima safra, com expectativa de um crescimento de 160% em relação ao período anterior. Esse aumento é impulsionado pela elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina brasileira e pela redução na produção nacional de etanol de cana.
Por outro lado, as empresas brasileiras do setor sucroenergético alertam que uma redução abrupta nas tarifas de importação do etanol americano poderia prejudicar a competitividade do produto nacional. As gigantes do setor destacam que os subsídios americanos ao milho e, consequentemente, ao etanol de milho, distorcem a concorrência.
Impactos econômicos e comerciais
Uma possível redução das tarifas de importação do etanol americano teria impactos significativos no mercado brasileiro. Com a vantagem de custo proporcionada pela ausência de tarifas, o etanol dos EUA poderia chegar até 15% mais barato do que o nacional no Nordeste brasileiro, região onde há deficiência na oferta do combustível.
Além disso, a proximidade com Houston facilitaria a logística de importação, reduzindo transferências de etanol do Centro-Sul para o Norte e Nordeste do Brasil. Isso, por sua vez, poderia pressionar os preços do etanol em todo o país.
Por outro lado, o setor sucroenergético brasileiro destaca que a competição seria desigual devido aos subsídios americanos ao milho. A preocupação é que a redução das tarifas beneficie excessivamente os EUA em detrimento dos produtores nacionais de etanol de cana.
Perspectivas futuras e desafios a serem superados
Em meio às tensões comerciais entre China e EUA, a possibilidade de um acordo envolvendo a redução das tarifas de importação do etanol americano traz desafios e oportunidades para ambos os países. Ainda há pontos a serem discutidos e negociados para equilibrar interesses e garantir a competitividade dos setores sucroenergéticos do Brasil e dos Estados Unidos.
Fonte original: Infomoney
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Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
