Poder da Inteligência Artificial preocupa ao limitar oportunidades para a juventude no mercado de trabalho

Inteligência artificial generativa pressiona mercado de trabalho e jovens

Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e outra pesquisa da Universidade de Stanford revelam que a crescente presença da inteligência artificial (IA) generativa afeta diretamente o mercado de trabalho, impactando especialmente os trabalhadores mais jovens. No Brasil, a exposição à IA é maior entre pessoas de 14 a 29 anos e em ocupações que demandam tarefas analíticas repetitivas e processamento de informação.

De acordo com a FGV Ibre, no terceiro trimestre de 2025, cerca de 30% da população ocupada no Brasil estava exposta à IA generativa, o que representa 29,8 milhões de pessoas. Jovens na faixa etária de 14 a 29 anos são os mais afetados, com uma exposição de 35,9%, acima dos 24,5% observados em pessoas de 45 a 59 anos e 25,7% em indivíduos com 60 anos ou mais.

O estudo também aponta que a exposição à IA aumenta conforme o nível de escolaridade, chegando a 42,7% entre os trabalhadores com ensino superior completo. Isso reflete o fato de que a IA tende a impactar mais atividades que exigem maior qualificação, concentrando-se em processamento de informação, análise de texto, classificação e apoio à decisão.

Impactos no mercado de trabalho

A pesquisa da FGV Ibre indica que aproximadamente 20% da população ocupada no Brasil está em posições com alta exposição e baixa complementaridade com a IA, tornando-se mais vulnerável à substituição. Por outro lado, um pouco mais de 20% dos trabalhadores têm alta exposição aliada a alta complementaridade, o que pode resultar em aumento de produtividade e salários.

No cenário internacional, o estudo “Canaries in the Coal Mine?”, realizado pela Universidade de Stanford, apontou uma queda significativa no emprego de trabalhadores de 22 a 25 anos em ocupações mais expostas à IA nos Estados Unidos. Enquanto trabalhadores mais experientes nessas mesmas ocupações registraram crescimento de 6% a 9%, os jovens enfrentaram uma redução de 6% no emprego.

Desafios e recomendações

Ambas as pesquisas ressaltam que a pressão causada pela IA generativa se concentra principalmente nas funções de entrada no mercado de trabalho, afetando áreas como organização de informação, processamento de dados, apoio analítico e tarefas rotineiras de natureza cognitiva. Isso levanta a preocupação com a formação profissional, uma vez que as oportunidades de aprendizado prático e experiência podem ficar mais limitadas.

Apesar do Brasil apresentar uma exposição total menor à IA em comparação com economias avançadas, como os Estados Unidos e o Reino Unido, o país enfrenta o desafio de uma parcela significativa de ocupados em posições com alta exposição e baixa complementaridade, aumentando o risco de substituição.

Diante desse cenário, a FGV Ibre propõe uma agenda focada em educação e requalificação, com destaque para a qualidade da educação básica, habilidades digitais, programação e competências transversais. Além disso, políticas ativas de emprego, como intermediação, qualificação e apoio à recolocação, são apontadas como essenciais para reduzir a duração do desemprego e facilitar transições entre ocupações.

Conclusão

A ascensão da inteligência artificial generativa impõe desafios significativos ao mercado de trabalho, especialmente para os jovens e trabalhadores em funções de entrada. A necessidade de requalificação e adaptação às novas demandas tecnológicas se torna cada vez mais premente, exigindo ações concretas tanto em termos de formação profissional quanto de políticas públicas para lidar com os impactos da automação no emprego e na economia.

Fonte original: Jornal Contábil

Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

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