Novo Código de Defesa do Contribuinte traz mudanças significativas na relação com o Fisco
Aprovado e sancionado como Lei Complementar (LC) nº 225/2026, o novo Código de Defesa do Contribuinte representa uma mudança estrutural nas relações entre quem paga e quem cobra Impostos no Brasil. Fruto de um anteprojeto presidido pela ministra Regina Helena Costa (STJ), a norma estabelece regras gerais para União, Estados e Municípios, buscando equilibrar as forças nessa relação.
Segundo o advogado tributarista Felipe Cabral, da Weiss Advocacia, uma das principais inovações do novo Código é a “positivação sistemática” das garantias para os contribuintes. Isso engloba princípios como boa-fé, proporcionalidade, motivação qualificada, estimulando a autorregularização e criando parâmetros claros de controle da atuação fiscal.
# Presunção de boa-fé e redução da burocracia
Um dos pilares da nova legislação é a presunção de boa-fé, que inverte o ônus da prova durante fiscalizações, diminuindo autuações abusivas e garantindo mais segurança aos contribuintes. Além disso, o Código proíbe o Fisco de exigir documentos que já possui em suas bases digitais, como Notas Fiscais Eletrônicas e informações tributárias já declaradas anteriormente.
# Motivação qualificada e garantias
Outro avanço é o dever de motivação qualificada, exigindo explicações detalhadas e técnicas para aplicação de multas, impedindo o uso de justificativas genéricas. Além disso, o novo Código estabelece que fiança bancária e seguro-garantia tenham o mesmo efeito que uma penhora em dinheiro, proibindo a recusa do Fisco em aceitar essas modalidades de pagamento, desde que comprovada a idoneidade da garantia.
# Devedores contumazes e contribuintes conscientes
A legislação também traz novidades no combate à concorrência desleal, definindo o devedor contumaz e estabelecendo medidas para qualificar e lidar com essa prática. Por outro lado, especialistas apontam que o Código poderia ser mais “ambicioso” em relação aos bons contribuintes, que ganharam apenas canais de atendimento simplificados.
# Consensualidade e previsibilidade
Especialistas concordam que o novo Código reforça um movimento de “consensualidade”, buscando resolver conflitos antes de se tornarem processos judiciais. A adaptação cultural dos órgãos fiscais será fundamental para o sucesso da normativa, gerando debates iniciais, mas tendendo a um ambiente mais previsível no longo prazo.
# Impacto econômico e tendências futuras
A implementação do novo Código de Defesa do Contribuinte tende a influenciar positivamente as decisões de investimento e planejamento tributário das empresas, proporcionando mais previsibilidade, segurança jurídica e redução do risco tributário. Estratégias de compliance qualificado tendem a ser priorizadas em detrimento de posturas defensivas.
Em um momento de profundas mudanças nas bases tributárias do Brasil, o Código de Defesa do Contribuinte surge como uma oportunidade de modernização do sistema. Aliado a outras reformas em andamento, como a Reforma Tributária sobre o consumo e a Reforma da Renda, a nova legislação visa ajustar o sistema à realidade e promover um ambiente mais justo e equilibrado para contribuintes e órgãos fiscais.
Fonte: CNN Brasil
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