Inflação de janeiro sinaliza resistência técnica para analistas
A inflação de 0,33% em janeiro, medida pelo IPCA, surpreendeu analistas ao apresentar uma “resistência técnica” e uma possível mudança na tendência de desinflação. Com um acumulado de 4,44% nos últimos 12 meses, acima da meta de 3%, o país ainda se mantém dentro da banda de tolerância estabelecida pelo governo.
O aumento foi impulsionado principalmente pelos preços administrados, com destaque para a gasolina, que registrou uma alta significativa de 2,06%. Por outro lado, a energia elétrica e os alimentos contribuíram para conter a inflação, com a ativação da bandeira verde e a deflação em itens como leite, aves e ovos.
Pressão nos serviços e mercado de trabalho
O setor de serviços e a pressão do mercado de trabalho aquecido continuam sendo pontos de atenção para os economistas. A persistência da inflação nesses setores indica que a demanda ainda não está completamente arrefecida, o que pode representar desafios no curto prazo para a atividade econômica.
Apesar da pressão nos serviços, alguns analistas veem uma desaceleração nesse segmento, o que pode indicar uma melhora no cenário. No entanto, o patamar de 4,44% em 12 meses ainda é considerado desconfortável.
Expectativas para o corte de juros em março
A divulgação do IPCA reforçou as expectativas de que o Copom iniciará o ciclo de corte de juros em março. A maioria dos analistas projeta um corte de 0,50 ponto percentual na Selic, com a XP Investimentos e o Inter indicando que a taxa deve fechar o ano em 12,5%.
Por outro lado, há uma vertente mais cautelosa, defendendo um corte de 0,25% em março. Esse cenário leva em consideração que a desinflação reflete mais o câmbio do que a desaceleração da atividade econômica.
Independentemente da magnitude inicial do corte de juros, as projeções indicam que o cenário para a inflação e a política monetária segue inalterado. O resultado do IPCA, embora tenha mostrado uma resistência técnica, não altera a condução esperada do Copom para os próximos meses.
Fonte original: InfoMoney
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
