Prévia da Inflação de Dezembro Mostra Desaceleração, mas Preços de Serviços Persistem
A prévia da inflação oficial de dezembro, o IPCA-15, divulgada recentemente, confirmou que o Brasil encerrará o ano dentro do limite de tolerância. No entanto, a persistência dos preços de serviços tem preocupado o Banco Central, o que divide opiniões sobre a possibilidade de redução da taxa de juros.
Os dados do IPCA-15 apontaram uma alta de 0,25% em dezembro, um leve aumento em relação a novembro. No acumulado do ano, a inflação ficou em 4,41%, abaixo da meta de 4,5%, porém distante da meta anual de 3%. A economista Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos, ressalta que embora a inflação de 2025 deva ficar abaixo da banda superior da meta, os números atuais não corroboram inteiramente com essa perspectiva.
Pressão nos Serviços e no Mercado de Trabalho
A persistência da inflação nos serviços é apontada como um entrave para a redução da taxa de juros, a Selic. Diferentemente dos alimentos, os serviços são mais impactados pelo mercado de trabalho aquecido, o que os torna mais lentos para ceder. Essa situação tem gerado divisão no mercado: enquanto alguns analistas acreditam em cortes de juros já em janeiro, outros defendem que essa redução só acontecerá em março.
Segundo o economista Gustavo Gonzaga, da Necton Investimentos, o resultado do IPCA-15 reforça a cautela do Banco Central e aponta para possíveis cortes na Selic somente a partir de março. Ele destaca que, apesar de não ameaçar a tendência de desinflação observada até o momento, o número divulgado não empolga, o que mantém o cenário de redução de juros para o futuro próximo.
Análise dos Grupos Pesquisados
Dentre os grupos pesquisados, o de Transportes se destacou como o principal vilão, impulsionado pelo aumento de 12,71% nas passagens aéreas, um movimento sazonal típico de férias. Por outro lado, a energia elétrica residencial apresentou uma deflação de 0,22%, proporcionando um alívio no índice de preços.
O economista André Valério, do Inter, ressalta que 7 dos 9 grupos pesquisados apresentaram alta, com destaque para o grupo de Transportes, que teve um aumento de 0,69%, impulsionado principalmente pelas Passagens Aéreas. Além disso, os Combustíveis subiram 0,26%, revertendo um período de deflação recente.
Projeções e Perspectivas
Para o economista Matheus Pizzani, do Picpay, apesar da presença de fatores sazonais, a falta de indicadores positivos para os preços de serviços não modifica a projeção para a inflação e a política monetária. Ele projeta que o IPCA de 2025 ficará em torno de 4,4%, ainda dentro do limite superior estabelecido, e que os cortes na Selic terão início em março.
Já Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galapagos Capital, acredita que a inflação persistente nos serviços mantém o Banco Central em uma posição desconfortável para iniciar a redução da taxa de juros. Ela ressalta que, embora a expectativa seja de corte em janeiro, é necessário que a inflação dos serviços e os dados do mercado de trabalho desacelerem para que isso ocorra.
Conclusão
A prévia da inflação de dezembro indicou uma desaceleração, porém, a persistência dos preços nos serviços tem gerado incertezas quanto à redução da taxa de juros. Os dados apontam para um cenário de inflação controlada, mas a cautela do Banco Central diante da inflação persistente nos serviços pode adiar os cortes na Selic para os próximos meses. É importante observar como os próximos dados e o comportamento dos mercados irão influenciar as decisões econômicas ao longo de 2026.
Fonte: InfoMoney
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
