“Onças Brasileiras” podem crescer com acordo Mercosul-UE
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) enxerga potencial nos estados brasileiros denominados como “Onças Brasileiras”, inspirados nos Tigres Asiáticos. Esses estados, que incluem Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, apresentam desenvolvimento econômico acima da média nacional, elevado IDH, eficiência governamental e estabilidade institucional.
De acordo com um relatório da ApexBrasil, estima-se um aumento de cerca de 49 bilhões de euros nas exportações da União Europeia para o Mercosul até 2040. Esse valor, apesar de modesto em termos absolutos, traz significado geoeconômico ao combinar ganhos econômicos com posicionamento estratégico. Por outro lado, as exportações do Mercosul para a Europa devem crescer cerca de 9 bilhões de euros nesse mesmo período, beneficiando principalmente o agronegócio.
O setor automotivo, químico e de maquinário da indústria europeia seria um dos mais interessados no acordo, uma vez que ganhariam maior competitividade na América do Sul. No entanto, a liberalização tarifária foi um entrave para a aprovação na UE, resultando em limites de quantidade para produtos com tarifas reduzidas, mecanismos de salvaguarda de preços e exigências ambientais e sanitárias mais rigorosas.
Para os estados das “Onças Brasileiras”, espera-se um impacto positivo maior em suas economias, especialmente devido à composição da parcela exportada, que possui uma participação significativa de commodities e produtos da agroindústria. Isso os coloca em posição de se beneficiarem mais com a entrada em vigor do acordo.
A ApexBrasil destaca que o acordo representa uma oportunidade para esses estados reposicionarem a composição de seu comércio exterior e ampliarem sua presença no mercado europeu. Além disso, a adaptação dos setores impactados será necessária, tanto dos exportadores para atender às regulações da UE, quanto das indústrias domésticas que competirão com produtos europeus potencialmente mais baratos.
Os estados como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná concentram grande parte de suas exportações destinadas à União Europeia na agroindústria. Enquanto Espírito Santo e Mato Grosso do Sul conseguem equilibrar melhor a balança com extrativa mineral e manufaturas. Santa Catarina destaca-se na indústria de transformação.
A infraestrutura logística, principalmente dos estados como Espírito Santo, Santa Catarina e Paraná, será relevante para sustentar a expansão do fluxo comercial entre o Brasil e a Europa. O acordo Mercosul-União Europeia não se limita ao impacto direto no comércio internacional, mas facilita o acesso a tecnologias, máquinas e insumos europeus, contribuindo para o aumento da competitividade do mercado brasileiro e para o aumento da complexidade econômica do país.
Portanto, as “Onças Brasileiras” têm a oportunidade de morder uma fatia importante desses ganhos, ampliando suas oportunidades de parcerias, investimentos e intercâmbio entre gigantes da economia global.
Fonte: Valor Econômico
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
