EUA deve cortar juros para estimular economia
Os dados de emprego nos Estados Unidos apontam uma criação de novas vagas bem abaixo do esperado, mostrando um enfraquecimento na economia. Com apenas 22 mil novas vagas criadas quando se esperava 75 mil, a taxa de desemprego subiu de 4,2% para 4,3%, o maior valor desde 2021. Dos 11 setores pesquisados, 7 apresentaram perdas de emprego.
O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, destaca que a média móvel trimestral de criação de vagas está em apenas 29 mil, bem abaixo do considerado saudável de 150 mil a 200 mil postos mensais. Isso aumenta as apostas do mercado em um corte de juros na próxima reunião do FOMC, prevista para 17 de setembro.
Dilema do FED e projeções de cortes
O Federal Reserve (FED) enfrenta o dilema de equilibrar dois riscos: reduzir os juros cedo demais, estimulando a economia antes que a inflação esteja controlada, ou esperar mais tempo e aprofundar a desaceleração da atividade. Com a taxa de juros entre 4,25% e 4,5%, a aposta no corte é praticamente certa, de acordo com economistas.
André Valério, economista sênior do Inter, afirma que o dado fraco de emprego garante o corte na taxa de juros. A discussão agora gira em torno do tamanho desse corte, com possibilidade de redução de 50 pontos base, ou compromisso com uma sequência de cortes caso optem por 25 pontos base. O mercado já precifica três cortes de 25 pontos base para este ano.
Impacto nos mercados globais
Com os Estados Unidos como referência para os preços dos ativos globais, a expectativa de cortes de juros tende a gerar impactos positivos na curva de juros e ativos de risco de outras economias. Após a divulgação dos dados, a curva de juros brasileira e o dólar operam em queda.
Para a analista de macroeconomia da InvestSmart XP, Sara Paixão, os futuros dos índices de ações caíram imediatamente após a notícia, mas se recuperaram com a expectativa dos cortes de juros estimularem os negócios e atrair mais investimentos para a renda variável. A estrategista-chefe da Nomad destaca o retorno do otimismo com inteligência artificial após resultados acima do esperado da Broadcom, apontando a alta sensibilidade do mercado a mudanças nas projeções de cortes de juros.
A divulgação da inflação de agosto será crucial para determinar a intensidade e frequência dos cortes, com expectativa de cortes na reunião de setembro e dezembro. O mercado segue atento às projeções do FED e aos desdobramentos da economia americana, buscando sinais de recuperação e estabilidade para os próximos meses.
Fonte: Estadão
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