Empresas buscam liquidar ativos judiciais devido a juros elevados e inadimplência crescente

Empresas recorrem à venda de ativos judiciais diante de juros altos e inadimplência

Com a alta dos juros e o aumento da inadimplência e dos pedidos de recuperação judicial, as empresas têm buscado alternativas para obter capital. Uma dessas estratégias envolve a venda de créditos judiciais, tributários ou valores que não entram no fluxo de caixa tradicional, possibilitando a obtenção de recursos imediatos, ainda que com um deságio.

Os chamados fundos abutres são especializados em comprar esses créditos de empresas inadimplentes, em recuperação judicial ou falência, com o objetivo de obter um retorno acima do investimento. Essa prática, apesar do apelido pejorativo, é baseada em critérios rigorosos e análise de riscos para garantir a precificação adequada dos ativos adquiridos.

Estratégia financeira e benefícios para empresas em crise

Para empresas em recuperação judicial, a venda desses créditos pode proporcionar a tão necessária saúde financeira, contribuindo para a reestruturação da companhia. Já para aquelas em falência, a liberação dos créditos é uma forma de pagamento aos credores. A utilização desses recursos parados há anos na Justiça permite uma injeção de capital imediata, viabilizando novos investimentos.

Apesar de alguns gestores optarem por aguardar o desfecho dos processos judiciais para receber o montante total, a venda dos créditos pode representar uma saída estratégica em MEIo à crise econômica vivenciada no país.

Rigor na seleção de créditos e análise de risco

Embora sejam conhecidos como “abutres”, os fundos especializados não adquirem qualquer crédito, sendo essencial a utilização de ferramentas como due diligence, inteligência de mercado e avaliação jurídica para minimizar os riscos. A seleção criteriosa dos processos judiciais é fundamental para garantir retornos satisfatórios aos investidores, além de promover uma nova forma de financiamento para as empresas, sem comprometer suas operações.

A capacidade de analisar e precificar corretamente esses ativos judiciais pode revolucionar a utilização dos mesmos, criando possibilidades de financiamento inovadoras e seguras para companhias de todos os portes.

Impacto da inadimplência e recuperação judicial no mercado

Com taxas de juros médias próximas a 25% para pessoas jurídicas, muitas empresas enfrentam dificuldades para honrar seus compromissos. Quase três quartos das empresas no país estão inadimplentes, segundo a FecomercioSP, refletindo a situação delicada do cenário econômico atual.

O aumento significativo dos pedidos de recuperação judicial, que cresceram 61,8% no último ano, evidencia a necessidade das empresas em buscarem alternativas para se manterem viáveis em MEIo à crise. Exemplos como Oi, Azul e Gol, que passaram por processos de reestruturação financeira, demonstram a relevância dessas estratégias para a sobrevivência e continuidade dos negócios.

Conclusão

Em suma, a venda de ativos judiciais se tornou uma alternativa estratégica para empresas que buscam se reerguer financeiramente em MEIo a um cenário de juros altos e inadimplência recorde. A atuação dos fundos abutres, apesar do estigma, proporciona uma forma inovadora de financiamento, com critérios rigorosos de seleção e análise de risco. Essa prática, embora controversa, pode representar um respiro para empresas em crise, permitindo a continuidade de suas operações e a reestruturação de suas Finanças.

Fonte: Estadão

Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

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