“Frota fantasma” de petroleiros opera clandestinamente
Uma prática antiga ganha destaque nos dias atuais: a chamada “frota fantasma” de petroleiros que trafegam sem controles ou autorizações. Esse fenômeno tem se expandido, principalmente devido às sanções comerciais aplicadas a países como Venezuela, Irã e Rússia. A invasão da Ucrânia pelas tropas de Vladimir Putin em 2022 foi um marco para esse tipo de transporte ilegal.
Estimativas apontam que cerca de 1,5 mil navios petroleiros operam clandestinamente em todo o mundo, sendo 1,1 mil de origem russa. Esse tipo de transporte clandestino responde por cerca de 19% do petróleo consumido globalmente. Além disso, esses navios também são utilizados para transporte de grãos secos, contêineres e gás, ampliando sua abrangência para outros tipos de cargas.
As rotas mais utilizadas por essa “frota fantasma” são do Irã para China, Rússia para China e Rússia para Índia. No cenário internacional, destaca-se a rota Venezuela-China, que já foi a quarta maior em volume transportado até o ano passado. Em fevereiro passado, Índia e China foram os principais destinos do petróleo bruto transportado pela frota clandestina.
Para operar sem chamar atenção, os navios desligam seu Sistema Automático de Identificação (AIS), usam documentos de registro falsos e alteram a identificação visual da embarcação. Muitos são registrados em países como Emirados Árabes Unidos, Grécia e Hong Kong, que oferecem condições menos rigorosas e taxas mais baixas.
Reportagens revelam que parte das tripulações desses navios é composta por vítimas de tráfico humano. Há relatos de aspirantes a marinheiros submetidos a condições de trabalho consideradas trabalho forçado, como excesso de horas, confisco de documentos e retenção de salários. Os pagamentos aos tripulantes chegam a valores mensais de US$ 120.000 por navio, sendo realizados com frequência em dinheiro vivo ou criptomoedas.
A idade média das embarcações da “frota fantasma” é outra preocupação, com muitos petroleiros antigos adquiridos de segunda mão. A falta de revisões frequentes de segurança eleva os riscos de acidentes e vazamentos de óleo. A precariedade das embarcações, somada à falta de manutenção e seguro adequado, aumenta as chances de acidentes catastróficos.
Governos e autoridades têm intensificado as operações de combate à frota clandestina. A União Europeia, por exemplo, elaborou uma estratégia para fortalecer a autoridade dos países costeiros no monitoramento desses navios desde o final de 2025. Países como Bélgica, Suécia, França, Itália e Alemanha têm interceptado navios clandestinos, enquanto os EUA aprovaram uma Lei de Sanções da Frota Sombra para punir embarcações que evadem sanções à Rússia.
Fonte: CNN Brasil
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