Reforma tributária: desafios da execução podem elevar custo para até R$ 3 trilhões
Reforma tributária pode custar até R$ 3 tri e terá desafio de execução
A reforma tributária no Brasil, prevista para ser implementada até 2033, apresenta um aspecto pouco explorado: o alto custo de adaptação, tanto para o setor público quanto para as empresas. Estimativas da consultoria Omnitax apontam que o esforço total de implementação pode chegar a R$ 3 trilhões, envolvendo ajustes em diversos setores.
O valor previsto vai além dos pontos mais debatidos, como o split payment, incluindo a reestruturação completa do sistema tributário do país, abrangendo desde os sistemas governamentais até a operação das milhões de empresas atuantes no país.
Segundo o CEO da Omnitax, Paulo Zirnberger, o foco das discussões públicas tem sido superficial, sem considerar a complexidade da execução da reforma. Ele destaca que o desafio está na implementação efetiva da nova engrenagem tributária, que exigirá segurança, escala e integração.
A consultoria calculou o custo de R$ 3 trilhões com base em estudos próprios, contando com análises da Deloitte e do Movimento Brasil Competitivo sobre o “Custo Brasil”. Esse montante será destinado à adaptação dos sistemas da Receita Federal, dos estados, dos municípios e do futuro Comitê Gestor do IBS, além da modernização tecnológica de cerca de 21 milhões de empresas brasileiras.
Desafios e Impactos da Reforma
A transição da reforma tributária, que se estenderá por sete anos, apresenta um dos principais desafios de custo elevado. Durante esse período, empresas e governos terão que lidar com a operação de dois sistemas tributários simultaneamente, o que acarretará em maiores despesas com tecnologia, compliance e gestão.
Além dos desafios tecnológicos, a reforma também exigirá das empresas uma revisão profunda em seus processos internos, contratos, cadeias de fornecimento, logística, gestão de créditos e débitos tributários, sistemas financeiros e operacionais. O impacto não se limitará ao aspecto contábil, mas afetará a estratégia das organizações.
Segundo especialistas, será fundamental avaliar se o investimento realizado trará retornos reais para o país, evitando apenas substituir uma complexidade tributária por outra. O alto custo de conformidade, a litigiosidade e a baixa eficiência econômica do sistema tributário atual já são desafios que indicam a necessidade de uma reformulação efetiva.
Cronograma de Implementação e Principais Mudanças
A implementação da reforma tributária teve início em 2026, com a fase de testes e simulação das novas alíquotas CBS e IBS. Ao longo dos próximos anos, está prevista a substituição gradual de tributos federais, como PIS e Cofins, até a conclusão do processo em 2033, quando o novo sistema estará plenamente em vigor.
A principal mudança trazida pela reforma é a substituição de cinco tributos por um modelo de IVA dual, com a entrada da CBS (federal) e do IBS (estadual e municipal), garantindo a tributação no destino, não cumulatividade plena, split payment, apuração assistida e criação do Comitê Gestor do IBS.
O modelo visa simplificar o sistema tributário a longo prazo, mas a transição prolongada exigirá das empresas uma adaptação profunda em seus processos, sistemas e operações. O sucesso da reforma dependerá não apenas do desenho das regras, mas da capacidade de implementação ao longo da década de transição.
Custos de Implementação e Desafios Futuros
O governo federal já destinou investimentos em tecnologia no valor de R$ 1,6 bilhão até março de 2026, para custear a implementação da reforma tributária. Além disso, há estimativas de dívidas em torno de R$ 8 bilhões relacionadas ao fundo de compensação da reforma tributária, empurrando parte dos custos para os próximos anos.
À medida que a reforma avança, o desafio futuro estará em garantir que a nova estrutura reduza custos operacionais, simplifique o cumprimento de obrigações, aumente a previsibilidade e não amplie a burocracia sobre as empresas. A capacidade de implementação será crucial para que o país colha os benefícios esperados do maior investimento institucional da história.
Fonte original: Infomoney
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