Setor de Fertilizantes Brasileiro Preocupado com Impactos da Guerra e Mudanças Tributárias
O setor de fertilizantes do Brasil enfrenta perspectivas sombrias em 2026, prevendo uma redução de até 15% na produção. O cenário é afetado não apenas pelos conflitos geopolíticos como a guerra no Oriente Médio e na Ucrânia, mas também por mudanças tributárias e de precificação de fretes em andamento.
O Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas do Paraná (Sindiadubos-PR) alerta para os impactos desses fatores, que podem resultar não só na redução da produção, mas também no aumento dos preços dos alimentos. A expectativa é de uma diminuição no uso de fertilizantes no mundo devido ao alto custo, o que pode impactar a produção de alimentos.
A escassez de fertilizantes no solo após boas safras recentes no Brasil está levando os agricultores a adiar compras, enquanto as importações diminuem. Isso pode resultar em uma redução na produção de alimentos, refletindo em um aumento dos preços para o consumidor final.
Impactos da Guerra e Mudanças no Mercado de Fertilizantes
A projeção é que a produção global de fertilizantes seja impactada pela alta nos preços e dificuldades logísticas nos portos. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã pode resultar na perda de toneladas na produção de fertilizantes fosfatados, afetando a oferta mundial.
Além disso, a China restringiu exportações de fertilizantes, enquanto o preço do enxofre aumentou devido à competição no mercado de produção de baterias. O Brasil, por sua vez, enfrenta a queda na importação de fosfatados chineses e a escassez na oferta de gás de outros países produtores de fertilizantes.
Desafios Logísticos e Perspectivas Futuras
A espera por uma resolução dos conflitos geopolíticos e a retomada da produção de fertilizantes podem gerar longas filas nos portos do Brasil, provocando atrasos no plantio. Ainda, as mudanças nos preços do petróleo têm impactado o mercado de potássio, que vem registrando aumentos.
O presidente do Sindiadubos-PR ressalta a preocupação com um possível desabastecimento no mercado de fertilizantes, o que poderia levar os agricultores a reduzirem o uso dos insumos, comprometendo a produção agrícola.
Impacto das Mudanças Tributárias
Além dos desafios relacionados à guerra e ao mercado internacional, o setor de fertilizantes também teme os impactos da mudança na tributação do PIS/Cofins a partir de abril. A Lei da Reforma Tributária e a Medida Provisória 1343/2026 sobre frete mínimo são questões que preocupam as entidades do setor.
Associações como a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), a Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA) e a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) estão em busca de diálogo com o governo federal para mitigar os riscos e prejuízos ao agronegócio brasileiro.
Perspectivas Futuras e Ações do Governo
O setor espera que o governo adie a cobrança do PIS/Cofins, reavalie os critérios de tabela de frete mínimo e negocie com a China a reabertura das exportações de fosfatados para o Brasil. O diálogo entre as entidades do setor e as autoridades é fundamental para garantir a estabilidade do mercado de fertilizantes e a segurança da produção agrícola no país.
Diante do cenário de incertezas causado pela guerra e por mudanças tributárias, o setor de fertilizantes brasileiro busca soluções para manter a produção e garantir o abastecimento do mercado interno de insumos agrícolas. A colaboração entre o governo e as entidades do setor se mostra essencial para enfrentar os desafios e mitigar os impactos negativos na cadeia produtiva do agronegócio.
Fonte original: CNN Brasil
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
