Empresas de médio porte sofrem impacto com taxas elevadas: Queda na Selic traz alívio moderado

Taxa Selic é reduzida em 0,25 ponto percentual pelo Copom

Apesar do corte tímido, juros pressionam médias empresas

O Banco Central realizou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, reduzindo-a para 14,75% ao ano. A medida, ainda que cautelosa, marca o início do ciclo de cortes de juros. No entanto, mesmo com essa redução, a pressão dos juros elevados nas empresas brasileiras, especialmente nas médias empresas, persiste. Dados da Serasa Experian revelam que em novembro de 2025, 8,5 milhões de micro, pequenas e médias empresas estavam negativadas, acumulando um total de R$190,3 bilhões em dívidas em atraso.

Impacto prolongado dos juros altos preocupa

CEO da Kamino alerta para risco estrutural subestimado

Para Gonzalo Parejo, CEO da Kamino, o cenário atual mostra um risco estrutural que ainda não é totalmente compreendido pelas médias empresas. Diferentemente das grandes corporações, que têm acesso a diferentes fontes de financiamento, as médias empresas dependem majoritariamente do crédito bancário tradicional. Assim, cada aumento na taxa de juros afeta diretamente o custo do crédito, diminuindo as margens de lucro e reduzindo a margem para possíveis erros na gestão financeira dessas empresas.

Cautela do Banco Central reflete instabilidade global

Decisão de corte é vista como um alívio pequeno para empresas

A decisão do Banco Central de iniciar o ciclo de cortes de forma cautelosa é reflexo da instabilidade global, provocada também pela escalada do conflito no Oriente Médio. Para Parejo, essa instabilidade global forçou o Banco Central a adotar essa postura cautelosa. No entanto, o impacto desse corte menor para as médias empresas pode não ser suficiente no curto prazo, aumentando a pressão sobre essas empresas que já operam com margens apertadas.

Três frentes prioritárias para as médias empresas

Gestão do caixa, estrutura da dívida e liquidez são pontos-chave

Diante desse cenário desafiador, Parejo destaca três frentes prioritárias para as médias empresas atravessarem esse momento com menor risco. A visibilidade do caixa deve ser diária, evitando a busca por crédito de forma emergencial e com altas taxas de juros. Além disso, a estrutura da dívida também é crucial, pois passivos de curto prazo atrelados à taxa básica podem pressionar o caixa de forma imediata. Por fim, a liquidez pode ser obtida a partir da própria operação, como a antecipação de recebíveis, evitando um aumento no endividamento.

Juros brasileiros estão entre os mais altos do mundo

Efeitos sobre as médias empresas demandam atenção especial

Mesmo com o início do ciclo de cortes de juros, a taxa Selic no Brasil ainda está entre as mais altas do mundo. Segundo levantamento das consultorias MoneYou e Lev Intelligence, o país possui o segundo maior juro real do mundo. Diante desse cenário, as médias empresas brasileiras enfrentam um desafio ainda maior, com o custo efetivo do crédito ultrapassando 30% ao ano. Essa situação pode levar empresas saudáveis à inadimplência, não por falta de competência na gestão, mas devido a uma equação financeira desfavorável.

Conclusão

Visão do CEO sobre a importância da tomada de decisão

Diante desse panorama, Parejo ressalta a importância da gestão financeira assertiva e da tomada de decisões com base em dados concretos. Para as médias empresas, a cautela e a busca por alternativas que não aumentem o endividamento estrutural são essenciais para atravessar períodos de juros elevados e pressão financeira. A visão estratégica e a antecipação de cenários podem fazer a diferença para a sobrevivência e o crescimento dessas empresas em um ambiente econômico desafiador.

Fonte: Portal Contábeis

Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

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