Goldman Sachs eleva projeção da taxa de juros no Brasil devido à alta do petróleo
Recentemente, o Goldman Sachs revisou suas projeções econômicas para a América Latina devido ao impacto da crise no Oriente Médio e à interrupção dos fluxos de petróleo no Estreito de Ormuz. Com isso, a equipe de Commodities do banco prevê que o valor médio do petróleo Brent em 2026 será de US$ 85, podendo até superar o recorde histórico de 2008.
O choque energético provocado por essa situação resulta em um “Imposto global” que tende a gerar inflação e apertar as condições financeiras, impactando o crescimento econômico da América Latina. O Goldman Sachs aumentou a previsão de inflação para a região de 6,6% para 7,6% em 2026, destacando que esse aumento não se restringe apenas aos combustíveis, mas também afeta os custos de manufatura devido à dependência de commodities energéticas.
Aumento da taxa de juros e ajustes nos bancos centrais
Diante desse cenário, as projeções do Goldman Sachs indicam que os bancos centrais da América Latina poderão sofrer pressão para ajustar suas políticas monetárias, devido ao impacto do choque de oferta na inflação. No Brasil, por exemplo, o aumento da inflação levou o banco a revisar a projeção da taxa Selic para 12,75% ao final de 2026.
No México, a postura do banco central também se mostra mais conservadora, adiando um corte de juros para setembro e acompanhando a postura do Federal Reserve dos Estados Unidos. Já na Colômbia, o país segue em um ciclo de aperto monetário devido a pressões inflacionárias prévias.
Impacto no crescimento econômico da América Latina
A guerra no Oriente Médio tem gerado um aperto nas condições financeiras globais, com potencial de reduzir o crescimento do PIB global entre 0,4 e 1,2 pontos percentuais. Para a América Latina, o impacto desse aperto varia de acordo com o perfil de cada país. No Brasil, a previsão de crescimento para 2026 foi revisada para 1,9%, refletindo o ambiente de inflação mais alta e a sensibilidade ao aperto financeiro.
Países como México, Chile e Peru tiveram suas previsões de crescimento reduzidas devido à menor demanda dos EUA e ao impacto negativo por serem importadores líquidos de produtos petrolíferos. Enquanto o Equador teve uma revisão positiva, beneficiado pela forte dependência de exportações de petróleo.
Política fiscal e dinâmica de preços
A distribuição do custo do petróleo mais caro também é uma questão central, com governos como o do Chile e Peru optando por repassar o aumento aos consumidores, gerando inflação imediata mais forte. Já no Brasil, México e Colômbia, a estratégia é utilizar subsídios diretos e desonerações para mitigar o impacto nos consumidores.
Em relação à dinâmica de preços do petróleo, o Goldman Sachs projeta uma média de US$ 85 para o Brent em 2026, podendo ultrapassar US$ 100 em um cenário severamente adverso. Interrupções mais prolongadas podem elevar ainda mais os preços, enquanto um fim antecipado das hostilidades poderia reduzir o prêmio de risco.
Diante dessas projeções e cenários, a América Latina se vê diante de desafios econômicos importantes, que requerem ajustes nas políticas monetárias e fiscais para lidar com os impactos da alta do petróleo no cenário global.
Fonte: InfoMoney
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
