Desafios tributários: como as empresas do Brasil lidam com a gestão de dados?

Fragilidade dos dados contábeis exposta pela Reforma Tributária

A transição para o novo modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) no Brasil tem revelado a fragilidade dos dados contábeis das empresas do país. A implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) trouxe desafios, uma vez que muitas organizações ainda utilizam tecnologias defasadas e processos manuais que não atendem aos padrões de precisão exigidos pelo novo sistema tributário.

Dados inconsistentes comprometem a conformidade fiscal

A lógica da rastreabilidade total do IVA requer comprovação de cada crédito por MEIo de documentação íntegra e classificação correta das operações desde a origem. No entanto, bases de dados inconsistentes estão comprometendo o aproveitamento de créditos e tornando o planejamento financeiro impreciso. Essas falhas expõem as empresas a perdas geradas por erros que os mecanismos automatizados de fiscalização identificam de forma imediata.

Vulnerabilidade digital diante do fisco

O ambiente fiscal digital brasileiro evolui em um ritmo superior à maturidade das estruturas internas das empresas. O cruzamento de informações em tempo real realizado pelo SPED e pela Nota Fiscal Eletrônica revela que muitas organizações possuem registros com falhas técnicas, o que tem gerado irregularidades fiscais. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estima em R$ 160 bilhões anuais o custo dessas ineficiências.

Desafios durante o período de transição

Durante a fase de transição, as empresas precisam lidar com a integração de informações em duas estruturas tributárias distintas, requerendo dados de qualidade para sustentar ambos os regimes sem gerar conflitos. Dados da Confederação Nacional da Indústria indicam que 75% das pequenas empresas no Brasil enfrentam dificuldades para integrar tecnologia à gestão financeira, enquanto médias e grandes corporações lidam com desafios relacionados a múltiplas instâncias de ERP e regras tributárias parametrizadas de forma inadequada.

Governança de dados como requisito essencial

A conformidade com o novo modelo de tributação exige que cada crédito apresente documentação íntegra e nexo comprovável com a atividade econômica. A governança de dados torna-se essencial para garantir a continuidade operacional das empresas. A falta de consistência nos fluxos de dados pode resultar em perda de crédito tributário ou em riscos de autuação ao longo da cadeia produtiva.

Transformação operacional em curso

O período de testes da reforma não implica em penalidades imediatas, mas é essencial para que as empresas se preparem para as mudanças. A maturidade tributária dependerá da capacidade de transformar dados isolados em ativos confiáveis e auditáveis, assegurando conformidade e competitividade no mercado brasileiro. A adoção de práticas de governança de dados e a integração de softwares se tornam prioridades para as organizações se adequarem ao novo cenário econômico.

Fonte: Receita Federal

Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.

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